Francisco Cenamor, poeta de Leganés

Conheci Francisco Cenamor em uma visita ao Palavras, todas palavras, dias atrás. Vidal publicou um poema do poeta espanhol e eu, logo em seguida a leitura, deixei um elogio ao poema e ao poeta. No dia seguinte, ao retornar ao Palavras…, notei que havia outro registro no post do poema. Curioso, fui ler o que pensava ser comentário de outro leitor e, para minha surpresa, era o próprio poeta a agradecer minha leitura.

Como a assinatura estava lincada,viajei instantaneamente até a Espanha e me deparei com um blog literário, mantido por Cenamor, com farto conteúdo. Conheci seu perfil de trabalho, sua intensa atividade de blogueiro poético e a imensa rede de enlaces que já possui. Lá estão vários de seus livros em versão eletrônica, que incluem poemos, contos e peças teatrais.

Outro impulso e enviei um e-mail ao poeta, identificando-me e pedindo permissão para publicar seu trabalho no Banco da Poesia. Sua atenção foi imediata. Poucas horas mais tarde, chegava sua resposta, na qual não só permitia a publicação de qualquer poema seu (“puedes usar para tu blog cuantos poemas quieras. En eso no hay problema, al contrario” ), mas também dizendo estar abeerto a um intercâmbio com este nascente blog brasileiro (“será un honor colaborar en un acercamiento entre estos dos idiomas nuestros, tan bellos para la poesía).

Portanto, comecemos com alguns dados biográficos do poeta, traduzidos de seu blog Asamblea de Palabras (Assembléia de Palavrashttp://franciscocenamor.blogspot.com).

Biografia

franciscocenamorfotografic2a6c3bcapriscillalumbrerasmaquillajealejandracantero09Francisco Cenamor gosta de dizer que nasceu em Leganés (região metroplitana de Madri), em 1965. A parteira disse a sua mãe que, pelo umbigo do bebê, podia dizer que seu filho ia ser artista. Curioso, porém certo. Filho de pais que possuíam um pequeno negócio familiar, destacou-se no colégio até os 14 anos, quando decidiu abandonar os estudos e trabalhar no negócio da família: um açougue de carne de cavalo no bairro madrileno de Vallekas.

Desde menino se dedicou ao teatro e à literatura. Mas continou trabalhando em açougues até os 17 anos. Depois trabalhou em mil atividades, inclusive recolhendo papel e ferro velho. Seu feito mais destacado, nesses anos, além de pertencer desde muito jovem a numerosas associações juvenis e sociais, foi ter se tornado a Quarta Dama de Honra nas festas patronais de Leganés em 1984, notícia que deu a volta ao mundo e obrigou a mudar as normas de participação nos concursos de misses. (Leia a notícia aqui) Também ganhou, no período, algum prêmio literário.

Por fim, em um dia de…, não recordo o ano, passou a trabalhar na revista de atualidades sociais e culturais Página abierta, onde depurou sua técnica literária e adquiriu prática na condensação de textos. Seis anos mais tarde foi admitido como auxiliar de biblioteca na Real Academia Espanhola. Em sua biblioteca descobre milhares de obras em verso e prosa em castelhano, que devora com avidez. Também nessa época entra en contato com um grupo de poetas pela primeira vez, no qual se encontravam alguns jovens que, mais tarde, dariam o que falar no mundo literário.

Em novembro de 2004 abandona a Real Academia para viver da interpretação e de outros trabalhos, inclusive como professor de teatro. Aparece, então, em capítulos de conhecidas séries de televisão, anúncios publicitários e diversos filmes espanhóis.

Atualmente edita o blog literário Asamblea de Palabras e coordena o Clube de Leitura da Universidade Carlos III.

Participa nos Encontros Literários em instituições de ensino superior da Direção Geral do Livro, dentro do Plano de Fomento da Leitura.

Seus libros publicados são:

Amando nubes. Talasa Ediciones, Madri, 1999.
Ángeles sin cielo. Ediciones Vitruvio, Madri, 2003.
Asamblea de palabras. Ediciones Vitruvio, Madri, 2007.

Aparece nas antologias:

Poemas contra la guerra. Edições Vitruvio, Madri, 2003.
Salida de emergencia. Nosomoscómodos Producciones, Madri, 2004.
Pázsalo. Multitud en rebelión. Editorial Fundamentos e Plataforma Cultura Contra la Guerra, Madri, 2004.
Vida de perros. Poemas perrunos. Editorial Buscarini e Ediciones del 4 de agosto, Logroño, 2007.
Bukowski Club 06-08. Jam session de poesia. Ediciones Escalera, Segovia, 2008.
Rósea. Ediciones Bohodón, Madri, 2008.
La mujer rota. Literalia Ediciones, Guadalajara, México, 2008.
Fuga de nada. Ediciones Bohodón, Madri, 2009,

Três Poemas de Francisco Cenamor

cansancio ajeno


hay cada mañana una mujer maría
que se sienta al borde del abismo de su cama
mira hacia abajo antes de saltar
y duda sin remedio de si irá al trabajo

hay cada tarde un hombre manuel
que se sienta cansado en un banco del gimnasio
mira su peluda barriga que no baja
y piensa en sacar mañana todo su dinero e irse

hay también cada mañana un joven raúl
que coge sus libros para ir al instituto
mira con ojos dormidos el desorden de su mesa
y encuentra el cedé que le gustaría quedarse a escuchar

hay cada atardecer una abuela cipriana
que abandona con paso cansado el cementerio
mira con envidia la tumba del marido
y siente que pronto se liberará de su pesado cuerpo

hay cansancio en estos días extraños
y aunque me levanto de la mesa y lo dejo
me dan ganas de escribir al final del poema
que tal vez sean mis ojos los que se han cansado

maldita espiral infinita

unaespiralinfinita rodea mi cabeza
unaespiraldeespirales cuyos trazos
son a la postre mis barrotes
y yo ahora siento que necesito
bajar por un hilo de seda
mecido por una blanca brisa
estar tumbado en una dulce sauna eterna
que en mi sudor se vayan los días trabajados
y que un espejo refleje los ojos que vi esta mañana

niños y niñas

estás y ya no estás
dicen que hay muchos niños
que mueren de hambre cada día
estás y ya no estás

y otros niños nacen cada mañana
como las nubes que no sabes donde
qué tierras mojarán

a veces hay nubes que están
en el cielo mucho tiempo
y un día ya no están
como los niños que a veces ya no están

pero el agua que dejaron las nubes
pueblan cada tierra de raíces
como los niños muertos

Uma resposta para “Francisco Cenamor, poeta de Leganés

  1. Pingback: Duas solidões de Francisco Cenamor « Banco da Poesia

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