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Dia Mundial da Poesia

21 de março marca o Dia Mundial da Poesia,  criado na XXX Conferência Geral da Unesco, em 16 de novembro de 1999. O objetivo deste dia é promover a leitura, a escrita, a publicação e o ensino da Poesia em todo o mundo.

Salve, Poesia, mãe de todas as paixões,
misericordiosa para todos os males.
Salve, Rainha das Palavras
e maga toda poderosa das ternuras e das bem-aventuranças,
acalentadora de corações, artífice de piedades.
Saúdo-te em teu dia glorioso
embora tenha cometido o pecado do abandono provisório.
Mas de ti não desdenhei.

Desenhei teus encantos
nos traços de rotas várias de multicoloridas imagens: ut pictura poesis.
Salve, mimética e metafórica arte,
jubilosa Érato, desejável Euterpe,
mensageira de precisões e ambiguidades,
portadora de lamentos e devaneios,
incubadora de sonhos e tormentos,
arrimo dos nubívagos.

Em teu dia volto a abraçar-te
e em meus braços trago a promessa firme
de em ti permanecer,
pois em teu seio tenho o melhor alimento.
Eia ergo, carmina nostra,
illos tuos misericordes oculos
ad nos converte.
Porque nós precisamos de ti,
agora e sempre.

Cleto de Assis – março de 2016

 

Reforma Bancária

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Após algum tempo de recesso voluntário, o Banco da Poesia quer anunciar seu retorno, abrindo suas portas a clientes e amigos que sempre lhe prestigiaram. Estamos em obras, preparando algumas inovações. Vamos dinamizar nossa sede, com acréscimo de recursos que o mundo da informática nos oferece e tornarão mais atraente e dinâmica nossa interação com os leitores.

Apesar do grande silêncio, nos últimos meses, acumulamos um grande número de visitas e recebemos muitos seguidores, o que nos incentiva ainda mais a continuar a desbravar o mágico mundo da poesia, o mundo plural da poesia. Plural como o universo, como lembrava Pessoa. Até já. Faltam apenas alguns tijolinhos. C. de Assis

O que é Poesia? (3)

O nosso baú de definições não para de crescer. Agora é a vez de Erly Welton Ricci colocar mais umas moedinhas poéticas neste cofre especializado que recolhe as infindas versões sobre esta arte.  Sua contribuição, além de estar aqui, foi também depositada no seu escaninho, na página especial.

poesia deve ser isso:
o que ferve e congela
o que assombra e desanuvia
o que apaga
e incendeia
acena
à cena vazia

poesia deve ser isso:
o que amalgama e fere
anátema do frio
o que crema e espalha
amassa, esfarela,
e entra no cio

poesia deve ser isso:
morfemas e lexias
qualquer sal
um risco
de difundir
a via
quase
abissal

Erly Welton Ricci

A campanha continua

O Poder da Palavra

Continuamos com nossa campanha publicitária em favor da Poesia.

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Sem perguntas. É o que pede José Dias Egipto

DesSolidão

José Dias Egipto, Portugal

Não me perguntes porque vivo.
Sirvo a Natureza no seu redemoinho.
Sou ninho de esperança nas árvores mortas.
São tortas as veredas da vida!

Não me perguntes porque escrevo poesia.
A alegria não se explica nem se descreve.
A verve surge do infinito do cosmos, subitamente.
E, humanamente, as palavras divinas diluem-se…

Não me perguntes no que, deveras, creio.
É a estrada do meio que procuro.
A luz ou o clarão por dentro do escuro.
A Natureza com o hálito de Deus bem no seu seio.

Não me faças perguntas no ar.
Não perguntes às águias se voam.
Não me façam perguntas
porque não são respostas o que desejo dar….

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?

Um ovo, dois ovos, três ovos, assim!

Tem criança que não gosta de ovo de galinha, mas nunca vi alguém rejeitar ovo de chocolate. E no domingo de Páscoa os adultos também se transformam em crianças gulosas e ajudam a saborear as gostosuras que o Coelhinho traz para todo mundo.

Os povos antigos – muito antes dos Judeus e Cristãos terem transformado a Páscoa em data tradicional de seus respectivos ritos, embora por diferentes motivos – celebravam a chegada da Primavera com homenagem a  Eostre ou Ostera, deusa da estação das flores, das plantas renovadas, das árvores mais uma vez enverdecidas e também da época de reprodução de muitos animais. Ela também é conhecida como Eostra, Eostrae, Eastre e Estre. Note-se que Páscoa em inglês é Easter e em alemão Ostern, com certeza palavras derivadas do nome da deusa

Eostre, deusa pagã da Primavera

Eostre tinha sempre em suas mãos um ovo, a simbolizar o início de nova vida. Junto a ela, o coelho, símbolo da fertilidade. As antigas lendas que envolvem a sua história têm explicação para isso.

Seu nome tem origem no advérbio anglo-saxão ostar, que quer dizer sol nascente ou “sol que sobe. Daí sua associação com a aurora e, depois, com a luz radiante da Primavera, estação que trazia alegria para o povo e coisas boas para a mãe Terra.

Os gregos também tiveram uma deusa para a Primavera e seu nome era Eos. E eos, em grego, quer dizer aurora. Também há quem a identifique com Ishtar e Astarte, respetivamente deusas da Primavera da Babilônia e da Fenícia.

As lendas também contam que Eostre nutria predileção por crianças, que a seguiam por onde passasse. A deusa cantava e brincava com elas. Em um desses encontros, um pássaro pousou nas mãos de Eostre. Ela, então, pronunciou palavras mágicas e transformou o pássaro em seu animal favorito, uma lebre. Embora as crianças tivessem se maravilhado com a magia, meses mais tarde notaram que a lebre não se mostrava alegre, já que não podia mais voar ou cantar. Pediram, portanto, que a deusa retirasse o encantamento, mas suas tentativas foram em vão. Explicou às crianças que, como já estavam no Inverno, suas forças mágicas estavam diminuídas. Mas tentaria novamente na próxima Primavera.

Quando a Primavera retornou, Eostre fez com que a lebre voltasse à forma original de pássaro, durante certo tempo. Grato à deusa, o pássaro botou ovos em sua homenagem. E, também em consideração às crianças, que pediram sua liberdade, o pássaro, quando novamente voltou a ser uma lebre, pintou os ovos e os distribuiu em todo o mundo.

E acabou-se o que era doce.

Acabou não, porque amanhã tem mais chocolate.

Voltemos à Poesia

De grão em grão, a galinha enche o papo. E de ovo em ovo, podemos encher cestas de alegria e cornucópias de Poesia, já que estamos falando de fertilidade e fartura. Fui buscar ovos nos ninhos de Calíope, Polímnia, Euterpe e Erato e elas me ofertaram uma preciosiade: um poema talvez inspirado diretamente pelas musas, em seus tempos de mando no Olimpo, em companhia de Apolo. Trata-se do primeiro poema visual da história da Poesia, composto três séculos antes de Cristo, por Símias de Rodes. Abaixo, uma imagem do poema original, com duas dificuldades: é quase ilegível e o texto está escrito em grego antigo.  Em seguida, a exímia versão para o Português, feita pelo poeta brasileiro José Paulo Paes. Como a composição de J. P. Paes foi feita, em suas primeiras publicações, em outros sistemas gráficos, utilizei novos programas para “ovalar” melhor o poema.  Sobre o tradutor e o tema dos poemas visuais o Banco da Poesia se dedicará, em breve. (C. de A.)

O Ovo, de Símias de Rodes, versão de José Paulo Paes