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Novo livro de Manoel de Andrade

Depois de longa caminhada pelo chão da América Latina, Manoel de Andrade completa a não menos extensa jornada literária sobre a sua aventura em busca da utopia

Finalmente, a  editora Escrituras lança uma empreitada de mais de 900 páginas que condensam os vários anos do errante percurso do poeta Manoel de Andrade pelas veias abertas da América Latina — como metaforizou Eduardo Galeano — há mais de quatro décadas, quando todo o continente buscava portos seguros para suas contradições sociais e políticas. Mas Manoel de Andrade não fez de seu livro um mero relato autobiográfico e nem uma narrativa que desculpasse sua saída do Brasil para desfraldar sua poesia em defesa de ideais utópicos. Em verdade, Nos rastros da Utopia tenta redescobrir a América por meio dos personagens que o autor encontrou e conheceu, com quem dialogou e conviveu por tempos breves, mas absolutamente enriquecedores. 

Endosso o convite feito pela editora e por Livrarias Curitiba. E principalmente o convite do próprio escritor: “convido-o a viajar comigo por caminhos e por um tempo fascinante, em que o sonho e a esperança comandavam os rumos da História. Ventura e desventura, encanto e desencanto são os sabores com que estão temperados os fatos que passarei a relatar“.

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Um texto antigo sobre “Nos Rastros da Utopia”

Cleto de Assis

Já repeti, ali e acolá, que minha amizade com Manoel de Andrade ultrapassa as fronteiras do trivial e localiza-se no que há de melhor em uma relação fraterna. Para repetir um clichê, afirmo que, mais que irmão consanguíneo, Maneco é o mano escolhido, selecionado durante a jornada da vida.

Mas isso não nos torna irmãos corsos: temos as nossas diferenças de pensamento, adotamos crenças distintas em matéria política e religiosa. O que não nos transforma em inimigos ou adversários, como requer o saudável convívio democrático, que admite positivamente a multiplicidade de opiniões e a boa convivência entre os contrários. E não é bom assim? Chatice seria o consenso absoluto, que não nos permitiria sequer perseguir objetivos vitais e construir as mais variadas utopias.

Na narrativa de Manoel de Andrade, sempre com máximo respeito às ideias que o levaram a formular sua utopia, venero mais o entusiasmo do cavaleiro andante a percorrer as pátrias latino-americanas, em um tempo coberto por sombras e indefinições políticas, como tem sido, desde tempos imemoriais, a história deste continente. Sempre reunido a grupos que se acercavam à sua alma de artista sonhador, naquela idade vintaneira: estudantes idealistas e expressões culturais de cada local visitado. Muitas dessas expressões eram nascentes, ainda jovens como ele. Cresceram e firmaram conceitos de credibilidade intelectual e não deixaram de lembrar-se do brasileiro que os visitou e, quase sempre, recebia toque de retirada das cornetas governamentais dos países pelos quais passava. Na bolsa da memória do viajante foram acumulados, passo a passo, tesouros de bom relacionamento (com o povo que o recebia, não com os donos eventuais do poder) e de comunhão de utopias, que agora migram para o papel do escritor e poeta.

Passados tantos anos – mais de 40 – Manoel de Andrade fez um natural upgrade em suas utopias (para usar um termo atual, sem qualquer intenção irônica), mas continua em busca de sonhos, para poder continuar o caminho, como define Fernando Bini, citado em seu texto. Novas buscas na espiritualidade, novos sonhos no campo da justiça social. As velhas utopias – algumas desmanteladas por quedas de muros e pelo desânimo de descobrir que a ambição humana, o apego ao poder e o extremismo da corrupção e da deslealdade não têm cor política, mas estão sempre de tocaia no cérebro límbico do homem, prontas a aflorar à superfície, se as circunstâncias facilitarem – foram remodeladas, mas o escritor de agora permanece leal à alma condutora do jovem errante de ontem.

Já declarei, também, que seu livro “Nos Rastros da Utopia” será, quando publicado (e o está sendo agora), um marco para a história dos anos 60 em nosso continente. Depois de quatro décadas, diante de confessa perplexidade com este início de século, Manoel de Andrade pode dizer-se dono de uma certeza: somente os bons carregam à sua frente, continuadamente, as incertezas das utopias. Os maus têm projetos ambiciosos, preferencialmente para o presente ou futuro bem próximo, sem se importar com o que acontecerá para a sociedade que nos é comum. E é nos rumos dessas incertezas que se vão colhendo resultados positivos e se estabelecem as conexões corretas para ampliar a justiça e a harmonia sociais. Como seu leitor, vejo claramente que sua melhor utopia se chama Fraternidade.

8 de maio de 2012

Nova edição de “Canto General”, de Neruda

O livro e todos os seus manuscritos

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O jornal O Mercurio, de Santiago do Chile, em sua edição dominical de 19 de janeiro de 2014, anuncia a edição do livro Canto General, de Pablo Neruda, em uma composição inédita: foram reunidos todos os manuscritos da obra do poeta, feitos a mão ou datilografados. O autor da proeza é o bibliófilo César Soto Gómez, que levou mais de 30 anos para coletar todos os documentos. O livro, escrito entre 1938 e 1949, traça uma saga da América Latina, a partir de sua natureza edênica, o desenvolvimento dos povos pré-colombianos até o tempo criticado pelo poeta, passando pela rota dos conquistadores espanhóis.

A edição, com 496 páginas, leva a chancela da Fundação Pablo Neruda e foi patrocinada pela Corporação Patrimônio Cultural do Chile e doação cultural de uma empresa privada. Na página de El Mercurio há uma foto curiosa: Neruda com barba e bigodes, característica que adotou no período em que sofria perseguição do governo de González Videla.

O próprio poeta define seu livro: “Levado pelo propósito de dar uma grande unidade ao mundo que eu queria expressar, escrevi meu livro mais fervente e mais vasto: Canto Geral”. E mais: “A ideia de um poema central que agrupasse as incidências históricas, as condições geográficas, a vida e a luta de nossos povos, a mim se apresentava como uma tarefa urgente”.

Mas coube ao crítico argentino Saúl Yukievich dar à obra uma sintética e, ao mesmo tempo, mais abrangente visão: “É, simultaneamente, cosmogênese, geografia, rito, crônica, panfleto, fabulação, conversa, sátira, autobiografia, rapto, alucinação, profecia, conjura, testamento”.

Além dos manuscritos, com correções feitas pelo poeta, o livro inclui matéria complementar, como anotações, esboços, ideias soltas e titubeios do autor em relação à estrutura da obra e de poemas que deveria ou não incluir. Finalmente, um apêndice iconográfico documenta a época em que Neruda escreveu o livro (como o disfarce de clandestino com bigodes e barba, em 1948), a visita a Machu Pichu em 1943, o abraço com o xará Picasso em 1949, e as fotos do lançamento de Canto Geral, no México, em 1950.

Rumo ao berço de Neruda

Estou tomando o rumo do Sul, em direção à pátria de Pablo Neruda. Pretendo descansar, divertir-me, degustar os sabores do Chile e conhecer a nova poesia chilena. Vou percorrer o triângulo de Neruda, formado pelos vértices de Santiago, Valparaiso e El Quisco, onde se encontram as três casas do poeta – La Chascona, La Sebastiana e Isla Negra, respectivamente.

Sobre esta, considerada a principal casa-museu de Neruda, o poeta deixou escrito: “En mi casa he reunido juguetes pequeños y grandes, sin los cuales no podría vivir. Son mis propios juguetes. Los he juntado a través de toda mi vida con el científico propósito de entretenerme solo. El niño que no juega no es niño, pero el hombre que no juega perdió, para siempre al niño que vivía en él y que le hará mucha falta. He edificado mi casa también como un juguete y juego en ella de la mañana a la noche”. (Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. São meus próprios brinquedos. Juntei-os através de toda minha vida com o científico propósito de entreter-me sozinho. O menino que não brinca não é menino, porém o homem que não brinca perdeu, para sempre, o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta. Construí minha casa também como um brinquedo e brinco nela da manhã à noite.)

Do Chile enviarei notícias poéticas. Com a Ode ao Vinho, de Neruda, ergo um brinde pela paz maior que odos desejamos para o ano novo que se iniciará dentro de algumas horas.

Oda_al_vino

ODA AL VINO

Pablo Neruda

Vino color de día
vino color de noche
vino con pies púrpura
o sangre de topacio
vino,
estrelloado hijo
de la tierra
vino, liso
como una espada de oro,
suave
como un desordenado terciopelo
vino encaracolado
y suspendido,
amoroso, marino
nunca has cabido en una copa,
en un canto, en un hombre,
coral, gregario eres,
y cuando menos mutuo.

El vino
mueve la primavera
crece como una planta de alegría
caen muros,
peñascos,
se cierran los abismos,
nace el canto.
Oh tú, jarra de vino, en el desierto
con la saborosa que amo,
dijo el viejo poeta.
Que el cántaro del vino
al peso del amor sume su beso.

Amo sobre una mesa,
cuando se habla,
la luz de una botella
de inteligente vino.
Que lo beban,
que recuerden en cada
gota de oro
o copa de topacio
o cuchara de púrpura
que trabajó el otoño
hasta llenar de vino las vasijas
y aprenda el hombre obscuro,
en el ceremonial de su negocio,
a recordar la tierra y sus deberes,
a propagar el cántico del fruto.

ODE AO VINHO

Pablo Neruda

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
fecham-se os abismos,
nasce o canto.
Ó tu, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou o outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no cerimonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

versão ao Português de Cleto de Assis

Reforma Bancária

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Após algum tempo de recesso voluntário, o Banco da Poesia quer anunciar seu retorno, abrindo suas portas a clientes e amigos que sempre lhe prestigiaram. Estamos em obras, preparando algumas inovações. Vamos dinamizar nossa sede, com acréscimo de recursos que o mundo da informática nos oferece e tornarão mais atraente e dinâmica nossa interação com os leitores.

Apesar do grande silêncio, nos últimos meses, acumulamos um grande número de visitas e recebemos muitos seguidores, o que nos incentiva ainda mais a continuar a desbravar o mágico mundo da poesia, o mundo plural da poesia. Plural como o universo, como lembrava Pessoa. Até já. Faltam apenas alguns tijolinhos. C. de Assis

Convite

Eudes Moraes: Multiverso ou um olhar realista do cotidiano

A Editora InVerso, de Curitiba, promove o lançamento, no próximo dia 22 de novembro (terça-feira) do livro Multiverso, do paulista-paranaense Eudes Moraes, com poemas que o autor define como feitos com “temas extraídos do cotidiano, colhidos de uma particular observação do comportamento humano”. São 80 poemas, nos quais Eudes busca, nas palavras, “cores e aromas, transitando por memórias e desejos”.

Paulista de nascimento, Eudes Moraes morou em Londrina por 16 anos, em Brasília por seis anos e reside em Curitiba há 32 anos. Graduado em Psicologia, Teologia, Filosofia e Direito, define-se também como escritor e poeta, com participações em vários livros. Publica artigos em jornais e revistas e gosta de exercitar, no Facebook, sua tendência polemista e de incitador à reflexão. Como empresário (atualmente CEO da empresa Kazatec), foi Diretor no Grupo empresarial INEPAR S/A, por 25 anos, e diretor-geral da Rádio CBN, em Curitiba. É membro do Círculo de Estados Bandeirantes, entidade hoje abrigada pela PUC/PR, fundada em 1929 por um grupo de jovens idealistas, muitos dos quais se tornaram figuras importantes da cultura paranaense, como Bento Munhoz daRocha Neto, José Farani Mansur Guérios, Benedicto Nicolau dos Santos e José Loureiro Fernandes, entre outros.

Para completar sua biografia, publicamos um poema seu, que soa como um libelo em versos diretos,  sem metáforas, no qual ele demonstra seu poder de observação crítica da vida que se (es)vai por aí.

Desejamos sucesso a Eudes, nessa sua empreitada pouco comum de empresário-poeta.

A morte dos mitos  

Eu despontava para a vida e ao longe vislumbrava
nomes de pessoas e figuras ilustres na sociedade,
que pareciam distantes e intocáveis como mitos.
Tinha a sensação de que com elas jamais teria afinidade.

Cresci. Comecei a ler e ver fotografias nos jornais,
vi autoridades, vultos da política e eclesiásticos.
Pessoas no poder e muitas delas endinheiradas,
pareciam ser muito especiais. Eram respeitadas.
Elas representavam os poderes constituídos,
de longe, pareciam probas e de caráter ilibado,
líderes sérios, competentes, incorruptos e eruditos.

Da distância em que eu estava, esses eram os meus mitos.
Da minha humildade, eu os via como modelo.
Via-os liderando, discursando, sendo entrevistados,
Suas opiniões eram regras a seguir, insidioso apelo,
Falavam palavras bonitas com gestuais combinados.

Passei pelas escolas e espaços fui conquistando,
fui me aproximando dos mitos e descobrindo
que eles não eram o que de longe aparentavam,
e muitos desses heróis por mim foram passando.
De família modesta, foi rápida a minha ascensão.
Não tendo posses, só pelo intelecto podia vencer.

De casa saí com quinze anos, num internato estudei.
A universidade da vida é difícil, uma escola do saber.
A vida não me foi fácil e desafios tive que romper,
imaginava que os melhores habitavam nas capitais.

Em Curitiba, via mitos no poder político e empresarial,
a partidos políticos me filiei — casas de vestais.
Jogo sórdido existe em entidades de classes,
fiz política, não tive estômago para tanta podridão!
Fiz futebol, não gostei do que vi, ouvi e como agem,
presenciei hipocrisia e jogo de poder na religião.

De deputados e governadores me tornei amigo,
fiz secretários, indiquei servidores para cargos.
À medida que me aproximava e com eles convivia,
mais desencantos e decepções eu reunia.

Morei em Brasília e mais perto do poder fiquei,
convivi naquela corte com autoridades da República,
fiz amizades nas embaixadas e pelas festas desfilei.

Vi o despreparo humano e fragilidades presenciei.
Os incompetentes são fracos, traidores e covardes,
foi aí que me dei conta do desvalor conceitual,
como se o conceito de um mito se desgastasse,
perdesse o brilho e o encanto se desmanchasse.

Poucos deixaram boas marcas em minha vida,
poucos os que, tendo defeitos, se agigantaram,
pelo caráter, probidade, distinção, pudor, honradez,
e o meu respeito, por seus princípios, conquistaram.

Mito é pessoa comum quando fica lado a lado,
mito é um incompetente que se escala para o poder.
O mito pode ser frágil, antiético, injusto e desumano,
na medida em que se aproxima ele vai nos enojando.

Com a convivência, as pessoas vão se revelando,
mostram seu lado podre e se corrompem na ganância,
são egoístas, desonestas e se perdem na vaidade,
tornam-se chatas, exibidas, cansativas, causam ânsia.

As pessoas se deterioram diante dos nossos olhos,
quando gostam do poder e na ostentação fazem ritos.
Se insuportáveis, fúteis, metidas e cometem delitos,
quebram o encanto, morrem como todos os mitos.

Ferreira Gullar vence Prêmio Camões 2010

Prêmio Camões 2010 para Ferreira Gullar

O escritor, natural do Maranhão, é o nono brasileiro a ganhar o prestigiado galardão literário da lusofonia, também já atribuído a nove portugueses.

O escritor brasileiro Ferreira Gullar, atualmente com 79 anos de idade, é o vencedor do Prêmio Camões 2010, um dos mais prestigiados galardões literários da língua portuguesa. Na sua 22ª edição, o juri do prémio foi constituído por membros de Portugal, Brasil, Moçambique e São Tomé e Príncipe. No ano passado a distinção foi para Arménio Vieira, de Cabo Verde.

Ferreira Gullar é o nono brasileiro a ganhar o Prêmio Camões, depois de João Cabral de Mello Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Antônio Cândido, Autran Dourado, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles e João Ubaldo Ribeiro. Assim, o Brasil iguala Portugal em número de vencedores daquele certame cultural.

Em anteriores edições o Prêmio Camões também já distinguiu os portugueses Miguel Torga, Vergílio Ferreira, José Saramago, Eduardo Lourenço, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes. Na lista de premiados contam-se ainda o moçambicano José Craveirinha, os angolanos Pepetela e Luandino Vieira e o cabo-verdiano Arménio Vieira.

Na sua última edição o Prêmio Camões entregou a Arménio Vieira um cheque de 100 mil euros, valor acordado entre Portugal e Brasil, os organizadores da iniciativa.

Um maranhense chamado José Ribamar Ferreira

Ferreira Gullar nasceu no dia 10 de setembro de 1930 na cidade de São Luiz do Maranhão. Pseudónimo de José Ribamar Ferreira, é poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, argumentista de teatro e de televisão, memorialista e ensaísta. Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro.

Publicou o seu primeiro livro, Um pouco acima do chão, em 1949, editado com recursos próprios. Ferreira Gullar integrou movimentos literários e artísticos, tendo sido nomeado, em 1961, Diretor da Fundação Cultural de Brasília, onde elaborou o projecto do Museu de Arte Popular e lançou a sua construção. Assumiu uma posição política declarada e esteve no exílio (Moscou, Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires) de 1971 a 1977. Escreveu Poema sujo em 1975.

Ferreira Gullar já foi agraciado com vários prêmios, entre os quais o Jabuti (em 1999 e em 2007), o Prêmio Alphonsus de Guimarães, bem como o Prêmio Multicultural 2000, do jornal O Estado de São Paulo.

Em 2002, por indicação de nove acadêmicos dos EUA, de Portugal e do Brasil, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura. (do noticiário de imprensa)

Receita de Poesia

Criação Poética — O poema não tem plano. Escrevo meio cego. É uma descoberta passo a passo, algo que vai sendo revelado a mim mesmo a cada momento. Eu nunca presto atenção no modo como connsumo um poema. O poema, para mim, é a grande aventura de como fazer. Costumo dizer em palestras para estudantes que, quando vou escrever um poema, a página está em branco, e isso significa que todas as possibilidades estão abertas, são infinitas. No momento em que semeio uma palavra, o acaso é menor. Mas não sei o que vai acontecer.

A alegria da escrita — O poema é cura, não doença. Escrevo para ser feliz, para me libertar do sofrimento, não para sofrer. É a alquimia da dor em alegria estética. Mesmo quando a coisa é doida, amarga, naquele momento a transformo no ouro que é o poema.

(Revista Veja,  edeição 2 169, 16 de junho de 2010)