Arquivo do dia: 21/03/2016

Mais um abraço para a Poesia, em seu dia

Banco da Poesia

Desencanto

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira - 1986-1968 Manuel Bandeira – 1986-1968

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

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Mais um abraço para a Poesia, em seu dia

Desencanto

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira - 1986-1968

Manuel Bandeira – 1986-1968

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

Ode à Cuia de Chimarrão

Ode_a_cuia

Vejo-te à minha frente,
sensualmente curvilínea,
ostentando a nudez campesina com que nasceste.
Ainda não te senti em minhas mãos,
mas sei que me aguardas,
quente e úmida
à espera de meu beijo pleno de apetite.
Vou a teu encontro e te agarro pelo pescoço
já a sentir teus aromas selvagens
a fluir de teu ventre esperançoso.
Avidamente, vou sorver-te até o fim,
até ouvir os ruídos finais de nosso conúbio.
Saciarei tua sede com mais calores líquidos
que libertarão novos perfumes.
Satisfeito, mas não saciado, passo-te a mãos alheias,
até a próxima rodada.

Cleto de Assis – 2015

Dia Mundial da Poesia

21 de março marca o Dia Mundial da Poesia,  criado na XXX Conferência Geral da Unesco, em 16 de novembro de 1999. O objetivo deste dia é promover a leitura, a escrita, a publicação e o ensino da Poesia em todo o mundo.

Salve, Poesia, mãe de todas as paixões,
misericordiosa para todos os males.
Salve, Rainha das Palavras
e maga toda poderosa das ternuras e das bem-aventuranças,
acalentadora de corações, artífice de piedades.
Saúdo-te em teu dia glorioso
embora tenha cometido o pecado do abandono provisório.
Mas de ti não desdenhei.

Desenhei teus encantos
nos traços de rotas várias de multicoloridas imagens: ut pictura poesis.
Salve, mimética e metafórica arte,
jubilosa Érato, desejável Euterpe,
mensageira de precisões e ambiguidades,
portadora de lamentos e devaneios,
incubadora de sonhos e tormentos,
arrimo dos nubívagos.

Em teu dia volto a abraçar-te
e em meus braços trago a promessa firme
de em ti permanecer,
pois em teu seio tenho o melhor alimento.
Eia ergo, carmina nostra,
illos tuos misericordes oculos
ad nos converte.
Porque nós precisamos de ti,
agora e sempre.

Cleto de Assis – março de 2016