Das Alagoas chegam santas águas

Declaração de amor à água

Walter Bezerra – Alagoas

Nascente da nossa utopia, água doce dos nossos sonhos, água pura da nossa infância cristalina. Pingo de gente, transparências, rebeldia.

Bica no quintal, cair n’água, corpo molhado, roupa encharcada, conter a água da pingueira na mão em concha, meter com gosto o pé na poça d’água, barquinho de papel, soltar bolas de sabão.

O reflexo da lua, o rosto refletido no espelho ondulado do rio.

Água de beber, da quartinha, pote, jarra, cântaro, moringa, cantil, bilha, cuia, filtro. Filtros de nossas experiência e buscas.

Matar a sede; sede de viver.

Lavar o corpo, lavar roupa, lavar pratos, lavar a alma.

Mergulhar, nadar, pescar, surfar, velejar, navegar sem rumo, sem remo.

Água doce, salobra, salgada, água mineral, água destilada, água morna, água fria, água benta, água de cheiro, aguardente, aguaceiro.

Águas que se movem feito correnteza em nossas veias e que, muitas vezes, transbordam de emoção em dilúvios, tempestades.

Dissipam-se, precipitam-se, deságuam.

Chamam-na também de hidróxido, monóxido, protóxido de hidrogênio.

Chuva chovendo, pingo d’água pingando. Neve, neblina, granizo, orvalho, garoa.

Águas que enchem mares, rios, riachos, glaciares, lagoas, lagos, lagunas, adutoras, açudes, poços, cisternas, cacimbas, barris, tonéis, baldes, bacias e se fazem reservas nos porões do Planeta.

Lembram-nos as caravelas, balsas, canoas, botes, navios, submarinos, travessias, travessuras.

Poseidon, Medusa, Atlântida, Noé, sereias, carrancas, Iemanjá.

Águas do Atlântico, Pacífico, Nilo, Amazonas, Golfo do México, Mississipi, Velho Chico, Alagoas, Manguaba, Niquim, Mundaú.

Berços do boto cor-de-rosa, cavalo-marinho, água-viva, tartarugas, peixe-boi, piranha, foca, pinguim.

Sururuuuuu, fresco! Vai passando o camarão! Olha a ostra, polvo, taioba, piaba, caranguejo, bagre, camurim, pilombeta, muçum, agulhinha, surubim, pisirica, traíra, pitu, mororó, mandim!

Água de onde se originou as espécies, segundo Darwin, e que batizou Cristo, segundo a Bíblia.

Água que cai do céu generosamente e se faz energia, luz.

Onipresente nos campos, irrigando feijão, arroz, milho, mandioca, linhaça, brócolis, uva, caju, cajá.

Água que inspira os poetas e se eterniza canção e esperança: “Lata d’água na cabeça/lá vai Maria, “Foi um rio que passou na minha vida”, “São as águas de março vencendo o verão”, “Terra! Planeta Água”.

Som da chuva batendo no telhado, chuva molhando tulipas, bromélias, acariciando as palhas do coqueiro, as folhas da mangueira, correndo rios afora. Marulho das ondas, cachoeira cantando, divina sinfonia aquática.

Fonte e essência da vida, a água é mãe.

Se nós não preservamos e conservamos idolatra e amorosamente esse ouro líquido, a nossa consciência se evaporará, gota a gota.

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