Conversa marcada com Eduardo Mazullo

Nuestra charla de hoy

Hablaremos hoy
De esa caricia que te sobrevuela
Y nunca te llega,
De ese silencio que no se toca,
De esa cosecha que no tuvo
Un amanecer de siembra
Y ahora no tiene sombra.

Hay millones de esas caricias,
Hay cada vez más
Y cada vez valen menos.

Los hombres solos
– y ni siquiera los hombres solos –
saben qué hacer con ellas.

Son una lluvia que no llovió,
Un silencio que no se oye,
Dos sillas idénticas que no se hablan.

¿Qué vamos a hacer con todas ellas?
¿Las fumigaremos con trinitarias?
¿Recuerdas las dulces trinitarias?
Nadie las recuerda.
Mejor dejar a las trinitarias olvidadas.
No olvides que los recuerdos
Son para olvidar, que las calles
son para que se las coma el pasto,
que los hombres son para que se los coman
los gusanos. O los hermanos.
que las miradas son para mirarse,
que las lágrimas…
que las lágrimas son para nada,
Que toda calle termina
por comerte a pedacitos
empezando por tus suelas.

Que de lo que es
Y de lo que será
Ya nadie podrá decir que fue.

Aunque te digan que los adioses
Se dan fuertes en este clima,
No olvides, no olvides esto:
Todos los adioses
Están perdidos para siempre
Entre un hueco negro
Y una estrella enana.

Nossa conversa de hoje

Falaremos hoje
Dessa carícia que te sobrevoa
E nunca te chega,
Desse silêncio que não se toca,
Dessa colheita que não teve
Um amanhecer de semeadura
E agora não tem sombra.

Há milhões dessas carícias,
Há cada vez mais
E cada vez valem menos.

Os homens solitários
– e nem sequer os homens solitários –
Sabem o que fazer com elas.

São uma chuva que não choveu,
Um silêncio que não se ouve,
Duas cadeiras idênticas que não se falam.

Que vamos fazer com todas elas?
As fumigaremos com buganvílias?
Recordas as doces buganvílias?
Ninguém as recorda.
Melhor deixar as buganvílias esquecidas.
Não te esqueças que as recordações
São para esquecer, que as ruas
São para que as coma o pasto,
Que os homens são para que os comam
os vermes. Ou os irmãos.
Que os olhares são para olhar-se,
Que as lágrimas…
Que as lágrimas são para nada,
Que toda rua termina
Por comer-te em pedacinhos
Começando por tuas solas.

Que do que és
E do que será
Já ninguém poderá dizer que foi.

Ainda que te digam que os adeuses
Se dão fortes neste clima,
Não esqueças, não esqueças isto:
Todos os adeuses
Estão perdidos para sempre
Entre um buraco negro
E uma estrela anã.

Versão/ilustração: C. de A.

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