Novamente, o Nobel de Literatura de 2011

O Banco da Poesia já publicou a notícia da premiação do Nobel de Literatura de 2001 (veja aqui), destinada ao poeta sueco Tomas Traströmer. A repersussão do prêmio, no Brasil, foi mínima, embora seja importante destacar que foi um porta a mercê-lo, entre tantos escritores de renome na literatura universal contemporânea.

Vamos dar um repeteco, com um artigo publicado na Espanha, onde seus versos são mais conhecidos, pois já existem algumas traduções feita no idioma de Cervantes.

Primeiro poeta sueco em receber um Nobel de Literatura

Entre os nominados ao premio se encontrava Murakami*, um autor que, mesmo com muitos admiradores, tem vários inimigos entre os críticos, que crêem que o único que lhe favoreceu como autor foi haver nascido em uma época propensa, mas que deixa muito a desejar, no sentido literário.
Além dessa – e realmente uma das nominações mais surpreendentes – foi a de Bob Dylan**, um cantor norte-americano de muito prestígio, mas cuja lírica não pode, nem de começo, competir com a de Trastömer e de tantos outros poetas contemporâneos.

Tomas Traströmer nasceu em15 de abril de 1931 na cidade de Estocolmo, a capital da Suécia. Desde muito jovem se vinculou com as letras, chegando a converter-se em um importante poeta em sua terra.

Em 1990 sofreu um acidente vascular que lhe tirou grande parte de sua motricidade e afetou  consideravelmente sua capacidade de falar. O poeta assegurou, em reiteradas entrevistas, que graças à poesia e à música pode superar esse momento crucial e doloroso em sua existência.

Metáforas para entender a realidade

A poesia de Trastömer se caracteriza por apresentar a realidade de uma forma metafórica, porém sumamente acessível. O faz de uma maneira tão clara e espontânea que permite uma leitura amena, mas não pouco profunda. Em poucas palavras, sua obra ajuda a entender o mundo através de imagens, cores e, sobretudo, sons.

Na obra de Trastömer se pode apreciar un compromisso comparável com qualquer poeta ou escritor europeu de seu tempo: uma necessidade que chega a converter-se em obsessão por conseguir reconstruir uma realidade feita em pedaços, com as consequências da Segunda Guerra Mundial.

Em sua obra “Los recuerdos me miran” (As recordações me olham), Trastömer deixa que as páginas se impregnem de memória, de inventadas histórias que habitam em seu interior, de seres que preencheram sua existência e agora já não estão, de fantasmas…

Numa manhã de junho é muito cedo
para despertar, mas tarde para dormir de novo.
Devo ir à relva que está cheia
de recordações, que me seguem com o olhar.
Não se veem, misturam-se completamente
com o fundo, camaleões perfeitos.
Tão perto que os escuto respirar
apesar do estridente canto dos pássaros.

O artista que há em Trastömer

De qualquer maneira,  estamos não somente frente a um grande poeta e escritor, mas também diante de um artista em corpo e alma, que sabe tocar o piano e tem uma conexão muito forte com a música em geral.

Por outro lado, ele colaborou, como psicólogo, em uma instituição de internação de menores em Roxtuna, colaborando com a reaproximação desses jovens à realidade, em uma tentativa de entregar-lhes formas novas de encarar e ver a vida e de entender as relações que os seres humanos estabelecemos com a própria realidade.

Em razão de provir de um país cuja língua  não é de todo universal, a poesia de Tranströmer não é muito conhecida. Entretanto, ele foi galardoado com o Nobel, pois seu trabalho não poderia passar despercebido.

Este poeta é um verdadeiro apaixonado pela arte da escritura e a prova clara disto é que, em seguida a seu acidente, no qual perdeu a fala e muitas de suas faculdades motoras, Trastömer aprendeu a escrever com a mão esquerda, para não cessar seu trabalho, para não abandonar aquilo que amava, uma das razões que lhe permitia existir.

Dissidências sobre a entrega do Nobel

A concessão do Nobel de Literatura a Tomas deu muito o que falar. Muitos meios de comunicação se colocaram totalmente contra a entregado prêmio, posto que ele não é, na verdade, um poeta conhecido internacionalmente. No entanto, muitos opinam que foi uma premiação acertada.

De vez em quando é bom que a Academia Sueca atenda nomes de bonss escritores e poetas, mesmo que não sejam mediáticos, pois por experiencia sabemos que não necessariamente os mais lidos são os melhores.

Além disso, oreconhecimento de Trastörmer põe em evidencia que existem muitos nomres, alguns como o seu, pouco conhecidos forra de seu país, e outros no mais absoluto anonimato, que têm algo para oferecer e que merecem nosso reconhecimento. (Por Téxil Gardey, redatora do site Poemas del Alma, Espanha)

__________________
* Haruki Murakami (12 de janeiro de 1949), escritor e tradutor japonês.
** Bob Dylan ( 24 de maio de 1941), músico, cantor, compositor, poeta e pintor norte-americano. (notas do Banco da Poesia)

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