E o Nobel de Literatura de 2011 vai para… Poesia!

Poeta sueco ganha o Nobel de Literatura

Foto: Sophie Bassouls

Tomas Tranströmer nasceu em Estocolmo, Suécia, em 15 de abril de 1931. Frequentou a Universidade de Estocolmo, onde estudou psicologia e poesia. Considerado um dos poetas mais importantes da Suécia, Tranströmer já vendeu milhares de volumes em seu país natal e sua obra foi traduzida para mais de cinquenta línguas. Seus livros de poesia em Inglês incluem The Sorrow Gondola (Green Integer, 2010); New Collected Poems (Livros Bloodaxe, 2011); The Great Enigma; New Collected Poems (New Directions, 2003); The Half-Finished Sky (2001); New Collected Poems (1997); For the Living and the Dead (1995); Baltics (1974); Paths (1973); Windows and Stones (1972, e Seventeen Poems (1954).

Seu trabalho mudou gradualmente da tradicional e ambiciosa poesia sobre a natureza, escrita em seus primeiros vinte anos, em direção de um verso mais obscuro, pessoal e mais aberto. Seus poemas se dirigem para o vazio, no esforço de entender e lidar com o desconhecido, em busca de transcendência.
“Eu sou o lugar / onde a criação trabalha por si mesma”, declara em seu poema The Outpost, sobre a qual escreveu “Esse tipo de idéia religiosa recorre aqui e ali, em meus últimos poemas, no que eu vejo uma espécie de significado em estar presente, no uso da realidade, em experimentá-la, em fazer algo dela. ”

Tranströmer é o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2011. Suas outras honrarias e prêmios incluem o Prêmio Literário Aftonbladets, o Prêmio de Poesia Bonnier, o Prêmio Neustadt International de Literatura, o Prêmio Oevralids, o Prêmio Petrach, na Alemanha, e o Prémio da Suécia do Fórum Internacional de Poesia.

Lecionou em muitas universidades norte-americanas, muitas vezes com o poeta e amigo Robert Bly. Tranströmer é um respeitado psicólogo e já trabalhou em uma prisão juvenil, com viciados em drogas. Ele vive com sua esposa Monica em Vasteras, a oeste de Estocolmo. Tranströmer sofreu um acidente cérebro-vascular em 1990 que o deixou parcialmente paralisado e incapaz de falar. No entanto, continuou a escrever e a publicar seus trabalhos até os primeiros anos deste Século. Seu último trabalho original, The Great Enigma, foi publicado em 2004. Desde então, deixou de escrever. Mas não abandonou a arte: também pianista, ainda consegue tocar, embora com apenas uma das mãos.
Tranströmer não tem, até agora, sua obra publicada no Brasil. Com a notícia do prêmio, a Biblioteca Nacional publicou hoje, em seu site (http://www.bn.br/portal/) notícia que a sua coleção Poesia Sempre, de nº 25, publicou hai-kais de autoria do poeta sueco, com tradução de Marta Magalhães de Andrade.
Abaixo, três das onze estrofes publicadas, conforme divulgação da BN,

Os fios elétricos
estendidos por onde o frio reina
Ao norte de toda música

O sol branco
treina correndo solitário para
a montanha azul da morte

Temos que viver
com a relva pequena
e o riso dos porões

Para não deixar de apresentar o novo Nobel de Literatura aos leitores do Banco da Poesia, ousei recolher alguns poemas publicados em Espanhol e os traduzi para nossa língua. Espero que essas versões, em razão da triangulação idiomática, não tenham se distanciado em excesso da poesia de seu autor. Os três poemas pertencem a seu livro Sorgegondolen, Ed. Bonniers, Estocolmo, 1996 ( traduzido para o Espanhol como Góndola Fúnebre).

Amor e silêncio

A primavera jaz deserta.
A vala, escura como veludo
se arrasta junto a mim
sem espelhismos.

Somente irradiam
as flores amarelas.

Sou levado em minha sombra
como um violino
em sua caixa negra.

O único que quero dizer
reluz fora de alcance
como a prataria
na casa de penhores.

 O reino da inseguridade


A chefe do escritório se inclina e traça uma cruz
e oscilam seus brincos como espadas de Dâmocles.

Assim como a frágil borboleta se faz invisível no solo
conflui o demônio com o diário aberto.

Um capacete que  ninguém conduz tomou o poder.
A tartaruga-mãe foge voando sob a água.

Folha de livro noturno

Em uma noite de maio aterrizei
em um frio luar
em que a erva e as flores eram grises
mas seu aroma, verde.

Resvalei costas acima
na noite daltônica
enquanto as pedras brancas
assinalavam a lua.

Um espaçotempo
de alguns minutos
cinquenta e oito anos de largura.

E atrás de mim
além das águas reluzentes qual chumbo
estavam a outra costa
e os poderosos.

Gentes com futuro
em vez de rosto.

Ilustrações: c. de assis

Uma resposta para “E o Nobel de Literatura de 2011 vai para… Poesia!

  1. Helio Freitas

    A poesia do sueco parece boa. A tradução É boa.

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