Flores silvestres de Lina

Minha amiga Lina Faria é, sem dúvida alguma, uma artista da imagem fotográfica. Já escrevi sobre ela no Banco da Poesia, já “poetei” sobre suas fotos sempre inspiradoras. Ela tem a capacidade de gravar o simples, aquilo que as pessoas em geral não percebem a seu redor. Os bons fotógrafos, eternizadores do instante, do momento quase invisível aos olhos das pessoas comuns, têm a capacidade de fazer, na vida que corre, o corte do tempo infinitamente pequeno, porém enorme na beleza.

Do seu blog Não Lugar, retirei uma foto de flores rasteiras. Quase grudadas no chão. Expostas ao espezinho imediato. Mas, como parte do encanto telúrico, sempre vivas, sempiternas.

Foto Lina Faria

É o chão, mas poderia ser o universo,
chão inverso, onde nascem estrelaflores.
É o chão, cantochão, canto da terra, florescência permanente.
Veja, elas estão a brincar, embora aparentemente imóveis.
Trocam piscadelas, suspiros, ilusões, alusões, confidências.
Violetam-se sem violentar-se, cada qual com sua áurea íntima.
Não importa se, de repente, uma passada errante as pisotear,
aplastando-as e transformando-as em massa orgânica
para adubar a cama onde nasceram.
Um dia elas foram o cosmo, com estrelas brancas
em suas carinhas risonhas,
como almas vigilantes
e de perene beleza.

Cleto de Assis/março 20010

2 Respostas para “Flores silvestres de Lina

  1. Flores…Flores e mais flores.
    Que imagem luminosa e perfumada…
    Aliás, não sejam as flores, aqueles pequenos anjos mandados pelo Infinito, que mesmo nas mãos cruéis que as colhem, deixam sempre o seu perfume, a sua forma de expressarem o seu perdão…
    Como as minhas flores preferidas são as violetas, esta tela linda em roxo, deram para que eu imaginasse que eram de violetas que se tratavam.
    Parabéns pelo poema.
    Abraço grande com o odor das suas flores, tema para este
    trabalho,suave e delicado.
    Vera Lucia

  2. Cleto,
    Que agradável surpresa ver que você colheu as flores no blog e exibiu-a aqui no Banco.
    Nada mais pertinente a quem aniversaria.
    Vida longa ao Banco da Poesia!
    Obrigada, amigo Cleto!

    Postei teu poema, junto a elas lá no Não Lugar.
    bjs, lina

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