Pixinguinha: 37 anos de ausência

Pixinguinha, no traço de Bruno Venâncio

Hoje se completaram 37 anos da morte de Pixinguinha, vítima de um enfarto, a 17 de fevereiro de 1973.  Se o apelido todo mundo conhece, poucos sabem que seu nome completo era Alfredo da Rocha Vianna Filho e seu apelido misturava Bexiguinha, em razão de ele ter contraído varíola, com Pizin Din, que significaria menino bom ou guloso, em um dialeto africano.

Pixinguinha foi um dos  músicos mais importantes da fase inicial da música popular brasileira. Com um domínio técnico e um dom de improvisação encontrados nos grandes músicos de jazz, é considerado o maior flautista brasileiro de todos os tempos, além de um irreverente arranjador e compositor. Entre suas composições de maior sucesso estão Carinhoso, Lamento e Rosa. Neto de africanos, começou a tocar cavaquinho, depois uma flautinha de folha, acompanhando o pai que era flautista. Aos 12 anos, compôs sua primeira obra, o choro Lata de Leite. Aos 13, gravou seus primeiros discos como componente do conjunto Choro Carioca: São João Debaixo D’Água, Nhonhô em Sarilho e Salve (A Princesa de Cristal). Aos 14, estreou como diretor de harmonia do rancho Paladinos Japoneses e passou a fazer parte do conjunto Trio Suburbano. Aos 15, já tocava profissionalmente em casas noturnas, cassinos, cabarés e teatros. Em 1917, gravou a primeira música de sua autoria, a valsa Rosa, e, em 1918, o choro Sofres Porque Queres. Nessa época, desenvolveu um estilo próprio, que mesclava seu conhecimento teórico com sua origem musical africana e com as polcas, os maxixes e os tanguinhos.

Os Oito Batutas, Pixinguinha no centro com seu saxofone

Aos 20 anos formou o conjunto Os Oito Batutas (flauta, viola, violão, piano, bandolim, cavaquinho, pandeiro e reco-reco). Além de ter sido pioneiro na divulgação da música brasileira no exterior, adaptando para a técnica dos
instrumentos europeus a variedade rítmica produzida por frigideiras, tamborins, cuícas e gogôs, o grupo popularizou instrumentos afro-brasileiros, até então conhecidos apenas nos morros e terreiros de umbanda, e abriu novas possibilidades para os músicos populares. Na década de 1940, sem a mesma embocadura para o uso da flauta e com as mãos trêmulas devido à sua devoção ao uísque, Pixinguinha trocou a flauta pelo saxofone, formando uma dupla com o flautista Benedito Lacerda. Fez uma parceria famosa com Vinícius de Moraes, na trilha sonora do filme Sol sobre a
Lama
, dirigido por Alex Viany, em 1962.

Flautista virtuose e saxofonista, Pixinguinha foi também grande compositor, deixando dezenas de músicas de sua autoria. Mas como arranjador também deixou grande marca na música brasileira. Nos anos 30 e 40 ele foi arranjador para várias gravadoras e inovou, pela primeira vez no País, fazendo arranjos autenticamente brasileiros, substituindo os arranjos em estilo europeu que prevaleciam até então. Entretanto, sua grande composição, pela qual é sempre lembrado, foi Carinhoso, composta em 1932, que se imortalizou com a parceria de Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, que escreveu a letra, em 1937.

Homenageamos São Pixinguinha com a interpretação de Carinhoso por Marisa Monte e Paulinho da Viola.

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