Artur Alonso faz um depósito, bucolicamente

Bucólico


seria muito pedir ser em ti o último

com tantas pedras a cair
tantos sapatos nos caminhos
que se deitam

e a morte que não recupera razões
pelos séculos dos séculos

seria muito pedir uma tarde
só para mim
na que estivesses atenta

ao boiar do rio no berço
de teu ventre,
ao nadar da folha
na lágrima da tua pupila cheia
com esmeraldas frescas

e ser feliz como algo simples
tal o suor na humanidade
da sombra dum salgueiro
triste

amor
contra caminhos ainda por descobrir,
feitos pela lama, o pó, o pé que pisa
ruídas cerimônias invisíveis

seria muito pedir
ganhar, contigo, um dia ao impossível…

Ilustração: C. de A.

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