Vera Lúcia Kalahari elogia a carta anômima

O encanto da carta anônima

xxxxxEu gosto de receber cartas anônimas. Não tenho, como muita gente, horror às mesmas. Liga-me a elas uma profunda e viva simpatia. Porque o que é uma carta anônima? É, de algum modo, a voz que teme ou odeia. De qualquer maneira, uma voz amiga que previne. Porque ela dá-nos a certeza que não estamos sós. Que podemos contar, pelo menos, com os nossos inimigos. Ora vejamos: Não são os nossos inimigos os nossos amigos mais sinceros? Porque todos sabemos que nas horas difíceis, os amigos abandonam-nos, desaparecem… Os nossos inimigos, não. Acompanham  passo a passo a nossa vida. Vivem a nosso lado, hiantes… Como espiões… Vivem espiando todos os nossos movimentos, as garras prontas a agatanharem. Que em boa verdade, os inimigos sinceros são os nossos únicos amigos. Geralmente, calam as nossas boas qualidades,  para  apresentarem só os defeitos. E nós, só lucramos com isto, porque, realmente, os bons que só têm qualidades, nunca se governaram.. Ao passo que os defeitos, impõem sempre respeito. E nós podemos aproveitar a oportunidade para os corrigir, aqueles que nos interessa corrigir, como é obvio.

xxxxxE depois, o interesse, o tempo que perdem a saber da nossa vida… Já alguém teve um  amigo que se interessasse realmente por si?  Onde mora? O que faz? Com quem vive? Duvido… Mas estes outros, não. Até se dão ao cuidado de escrever cartas anônimas…Imaginem:. Na era da informática, quando já ninguém tem paciência para escrever à mão… Por nós, vejam bem, por nós, irem comprar um envelope… Papel… Selos… Ficarem ali sentados a pensarem, de caneta na boca, naquilo que vão escrever.Depois, saírem de propósito para irem ao correio mais próximo deitar a carta… Que consolador não é tudo isto para nós…

xxxxxA carta anônima é útil, sim senhor. Eu, por mim, acho-as interessantíssimas. E até bendigo a santa criatura que a escreveu, que tanto bem me quer.

xxxxxVejamos: A carta anônima para a mulher, a dizer que o marido a engana, poderá ser a melhor estratégia para o homem, se este não for parvo. Será como o sal na comida. Irrita, mas  depois de muita conversa, que,confessemos, em alturas destas os homens são muito convincentes, pode-se chegar à conclusão que há muita gente sem escrúpulos que perdem o seu tempo a escreverem coisas destas. E a mulher acredita e perdoa. E tal perdão é sempre uma pedra no charco no marasmo do casamento, traz uma  nova acção, outra novidade, a maior parte das vezes bem gostosa…

xxxxxA carta anônima para o homem, a dizer que não passa dum corno, tem as suas vantagens, sim senhor… Porque ou não sabia e ficou sabendo, ou já sabia e não se rala. Se o não sabia, foi um ótimo serviço, se o já sabia e não se rala até poderá exclamar, depois de a ler com um sorriso : “…Tão bem intencionado… coitado…”

xxxxxA carta anônima vale mesmo uma epopeia… Que venham mais…

xxxxxE pensar que há ainda quem abomine, as simpáticas, as maravilhosas cartas anônimas… Falta de gosto… (Vera Lúcia Kalahari)

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