Artur Alonso Novelhe: de olhos em Marraquexe

Marraquexe*

Jardim Menara, Marraquech - Foto de Marcin Sochacki, Polônia - http://wanted.eu.org/

Jardim Menara, Marraquech - Foto de Marcin Sochacki, Polônia -

Se quiseres ver
tens de ir a Marraquexe

Há um contador de fábulas
que levanta pólen
formando romeiras,
a cada pancada de seu pé direito

e serpenteia cada braço
num rito consciente,
enquanto escuro o ventre palpita
retumbar ecoando sonhos
de tribos nômades perdidas,
presságios antigos
ainda não satisfeitos

a sua historia atendem
entusiastas as crianças,
os homem supõem visitar além o adentro
e as mulheres, por um segundo, evadem
libertadas de um severo olhar
as túnica gastas no vento

Se em verdade
abres os olhos
pode ser que penetres
por fim em Marraquexe

onda a luz solar flutua areia âmbar
o tempo é teu inconsciente
e aquele supor, agora faz parte
de um processo, pesado descanso

Na praça do enforcado estatuas vagueiam
e à cerimônia antiga, cumprido ritual,
as casas fazem círculos de adobe trás a lua

Senão foste flauta de alento
perde-te-ás
profundo no seu cetro
e já não poderás divisar sinais nas ringleiras
de palmeiras em sombra fresca

Não te será oferecida bem-vinda
nem avançar poderás
por estas portas sempre abertas

Para entrar em Marraquexe
é preciso deitar fora
toda carga que nos pese

______________

Artur Alonso Novelhe, poeta, vive na Galícia, Espanha.
*O topônimo Marraquech (capital da região marroquina
Marrakech-Tensift-Al Hauouz) é utilizado, no Brasil, com ch final.
No poema, respeitamos a grafia do autor, que é também correta.

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