Outra maneira de olhar a arte

A indicação é do Google: Ver um Velasquez ou um Rembrandt em um lugar como o Museu do Prado, da Espanha, é uma experiência única. Agora você pode usar a tecnologia do Google Earth para navegar entre as reproduções de obras primas do Prado, penetrando ainda mais profundamente naquela coleção. No Google Earth, você pode se aproximar o suficiente para analisar as pinceladas de um pintor ou o craquelê sobre o verniz de uma pintura. As imagens dessas obras têm resolução de cerca de 14.000 milhões de pixeis, 1.400 vezes mais detalhadas que a imagem de uma câmera digital de 10 megapixeis pode conseguir. Além disso, você será capaz de ver uma espectacular reprodução em 3D do museu. Experimente a arte dentro uma nova maneira. Abra o Google Earth, habilite a camada 3D buildings (Construções em 3D na versão em português) no painel esquerdo inferior; escreva Museu do Prado na caixa equerda superior (Voar para), clique na lupa ao lado, inicie a sua visita e veja em detalhes quase microscópicos as obras de arte selecionadas. Com visão superior à dos que visitam o museu pessoalmente e são obrigados, por questões de segurança, a se manter a uma certa distância dos quadros. Veja uma amostra nos vídeos indicados abaixo (uma dica: clique no botão HQhigh quality, para ver em alta resolução).

O Jornal da Globo de hoje (16/04/09) explicou a novidade.

“Uma manhã de primavera em Madrid e um dos museus mais fascinantes do mundo, aberto só para mim. Bom, não é bem assim. Dia fechado ao público, a imprensa pode entrar e gravar. Mas é uma maravilha poder ver tudo sem gente na frente, sem barulho. Para quem gosta de arte, o Prado é um banquete visual. A gente pode se demorar diante de um quadro como o Jardim das Delícias, de El Bosco, Hieronimus Bosch. Poder ficar observando cada traço, cada toque do pincel. É claro que esse é um privilégio para poucos. Mesmo tendo dinheiro, quantos museus uma pessoa consegue visitar ao longo de uma vida? Mas e se essa experiência, com a riqueza dos detalhes de uma visita ao vivo, estivesse disponível na tela do seu computador?

O passeio virtual, em super alta definição, começa pelas ruas de Madri. Chegando ao Prado, o museu pode ser visto em 3D. Um estudo da arquitetura do palácio, antes de romper porta adentro e ver 14 obras-primas como nunca foram antes vistas. Voltemos ao Jardim das Delícias. O tríptico, cheio de detalhes minúsculos, está afastado do público, questão de segurança. A gente vê as cenas fantásticas de pecados e prazeres que El Bosco criou no começo dos anos 1.500, um surrealismo bem precoce. Mas só no passeio virtual conseguimos ver a expressão do próprio artista, num cantinho da tela, se deliciando com as cenas que criou.

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Conheça detlhes sobre esse tríptico em http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Jardim_das_Del%C3%ADcias_Terrenas

O Prado é o primeiro grande museu a botar suas principais obras em altíssima definição na rede. O trabalho foi encomendado para uma pequena empresa sediada no centro de Madrid. Foi tão inovador, que eles documentaram bem o processo. Uma máquina fotográfica poderosa, fazendo milhares de fotos, muito bem calibradas, de cada pedacinho do quadro. Um imenso quebra-cabeças, depois montado no computador. A base tecnológica foi a mesma usada, por exemplo, para a já célebre foto panorâmica da posse de Barack Obama. Mas tratando-se de obras-primas, foi preciso desenvolver novas ferramentas, e terminar ajustando alguns encaixes manualmente. Foi um pouco de tecnologia e um pouco de artesanato?

“Um pouco de artesanato, sim. Fizemos máquinas especiais, aqui, à mão ali, para pode levar a cabo o projeto. Foi uma combinação de elementos”, diz Fernando Garcia Lerma, chefe do projeto. O resultado é que a gente pode ver detalhes que só especialistas em arte, com acesso a examinar as obras de perto, e com lupa, sabiam que existiam. As Três Graças, de Rubens, a olho nu, pode-se ver, sim, que uma delas tem uma espinha na derriére. Mas e esta abelha, no meio da guirlanda de flores sobre as graças? “Os visitantes do museu e mesmo os entendidos que não podiam pegar uma escada e espiar acima das três graças, não poderiam saber que a abelha existia”, afirma Fernando.

Maravilhas de detalhes. A costura feita por restauradores passando pela face de Velazques no imenso quadro As Meninas. A lágrima ainda se formando nos olhos de João, que apóia Maria, uma mãe que perde os sentidos ao ver o filho morto na cruz.

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Roger van der Weyden, "A Descida da Cruz"

Os diferentes estilos, marcados profundamente. Se em um quadro a proximidade espanta pela perfeição, em outro, de perto tudo parece abstrato. Os olhos espantados do homem prestes a ser fuzilado, não mais que uma pincelada negra.

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Francisco Goya, "O 3 de maio em Madri"

Desde o início da internet, os museus entenderam o poder dessa ferramenta para divulgar seu acervo, mas este é um novo passo. Viajar pela tela do computador fica cada vez mais real. Se antes você podia procurar um endereço, digamos, em Paris, pela foto de satélite do Google Earth, o Google Street View agora te põe em frente ao prédio, uma espiadinha na janela, ali, no sexto andar.

O programa começou em São Francisco, na Califórnia, e já inclui muitas cidades ao redor do mundo. Não sem controvérsia. Em uma vila inglesa, o carro com a câmera que faz as imagens foi barrado por moradores enraivecidos que veem o programa como quebra da privacidade. Em Londres, as imagens de um rapaz bêbado, vomitando na sarjeta, de um marido saindo de um sex shop, causaram polêmica e processos e foram retiradas do programa. Mas a maioria dos usuários vê o Google Street como um passeio virtual. Como eu vou da Torre Eifell até a Praça da Concorde? Como é o trânsito na área da Notre-Dome de Paris? Onde tem aquele sorvete maravilhoso, no coração da Ille de Saint Louis? É claro que essa experiência não vem acompanhado dos barulhos, os cheiros, os sabores que fazem uma viagem uma experiência tão única. Mas talvez seja só uma questão de tempo.”

Vale a pena fazer a viagem virtual. Uma fantasia dentro da realidade, com detalhes ainda mais realistas. Mais um avanço do milagre internetiano. C. de A.

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