Arquivo do mês: abril 2009

Poegramas e poemínimos de Tchello d’Barros

A sugestão é de Marilda Confortin, que nos enviou o endereço do vídeo Poemínimos quase eróticos. Mas como o Banco da Poesia gosta de fazer cadastro completo de seus clientes, fui buscar mais referências do poeta cataralagoano.

fototchello2Tchelo d’Barros é catarinense de Brunópolis. Mora em Maceió (AL), se diz nordestino por opção e também cidadão do mundo com vocação, após andar por 20 países, sempre ligado a atividades na literatura e nas artes visuais. Define-se como designer, produtor cultural e editor independente. Tem cinco livros de poesia experimental e já realizou mais de dez mostras de desenhos, fotografias, pintura, infogravuras, vídeos, performances, instalações e manifestos. O endereço de seu blog é http://www.tchellodbarros-poesiavisual.blogspot.com/. Lá se encontram outros endereços com mais ionformações sobre seu trabalho.

Emprestamos de seu blog dois poegramas. No final, dois video-poemas.

Poem

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Zíper Plexo

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Poemínimos Quase Eróticos

Poemínimos Quase Pensamentais

Erly Welton envia novo depósito

De Antonina, Erly Welton Ricci manda seu recado:

“Os dois poemas, que envio para depósito bancário, fazem parte do livro Motofobia (poemas para ler em voz grave), já pronto mas esperando publicação, e também de uma série de vídeos poemas apocalipticos. Já foram publicados na Internet por vários sites e blogs – inclusive nos meus (Literadurawww.erlywelton.blog.uol.com.br )  – e devem fazer parte de uma exposição paralela durante o 19º Festival de Inverno em Antonina, com mais 12 vídeos-poemas. Os vídeos nasceram originalmente de um projeto de 40 poemas animados  e interativos feitos para serem projetados no Museu da Palavra, em São Paulo.” 

O outro poema será publicado depois. Razões de economia bancária…

É tarde demais
 

apocalipse09
é tarde demais
o filho do homem
incendiou
a lira

é tarde demais
tânagras sangram
vexando
em vênus

é tarde demais
quatuórviro qual
pústula
na vida

é tarde demais
pouqüidade podre
modorra
nos resta

é tarde demais
a mofa ainda goga
o ícone
do tolo

é tarde demais
os deuses estiarão
voltando
pra casa

é tarde demais
o mar ignorado
dois ágios
encava

é tarde demais
labaredas de sal
derretem
a chama

é tarde demais
o cão ladra, late
o cãozinho
cainha

é tarde demais
o homem novo
semelhante
ao pai

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Ilustração: Apocalipse – montagem de C. de A.

Poema de João Batista do Lago

A Balança
 

liberdade
Do palácio das Liberdades
Nascem carnes podres
Podres de direitos
Podres de justiças…
 
E então os direitos
Acasalados com as Justiças
Geram frigoríficos
Onde suas carnes são depuradas
Para serem vendidas aos homens

João Batista do Lago
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Ilustração: Montagem de C. de A.

J. B. Vidal, maiêutico, faz seu depósito

Posso dizer que o Banco da Poesia tem o dedo de J. B. Vidal, o poeta e editor de Palavras, Todas Palavras (http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/). Foi a ele que, durante a Semana da Poesia do ano passado, organizada por Manoel de Andrade, revelei a primeira idéia: organizar uma cooperativa de poetas. Depois, mais uma influência do poeta auto-desterrado (que inveja!) na Ilha do Destêrro – a sua prolongada ausência na Internet, durante as chuvas de verão que quase arrasaram Santa Catarina e não permitiram que Vidal instalasse o seu QG eletrônico para prosseguir seu prolífico trabalho de blogueiro protetor da Poesia.

De idéia em idéia, surgiu o Banco da Poesia, mas como simples ponto de encontro de poetas e de amantes da poesia. E, para alegria nossa, Vidal manda seu primeiro depósito, um poema com arcabouço mitológico, no qual expressa reflexões existenciais, pedindo intervenção aos deuses do Olimpo. Bem vindo seja, não só como poeta e amigo, mas como padrinho do Banco. Para saudá-lo, reuni, na montagem ilustrativa, os deuses invocados.

MAIÊUTICO

maieutico1
avejão helênico devasso a Hélade anosa,
perscruto Héstia, atenso para copular cioso,

tempestades de parêmias assolam a fleuma,
desértico, acuo na abóbada célica

incidências de ardis no Templo,
inerme ausência de Eros,

zeugmas pairam sobre pélagos,
imanes ofídios balétam virtuosos,

deuteragonista no drama litúrgico,
postergado por Zeus, exsolvido no Olimpo,

Zeus! Ares! Eros! onde estais? por que a indiferença?
novos Titãs fazem guerras de outra essência,
átomos divisos, gases letais descem dos céus!
Hélade existe, também morrem os seus!
amada Héstia, socorra-me com tuas virgens,
permita, por um instante, ser um deus!

retorno exaurido desta viagem reminiscente,
deixei-me levar como se de fato fosse,
ilusão de não estar onde estou e não me sinto,
morre em mim tudo que sonho, nada fica pra depois,
sentidos, pensamentos, escorrem pelas carnes,
resta o tédio, a vontade  de não-ser e abandonar-me

J. B. Vidal
inverno de 2000

Mais uma lembrancinha do nascimento do Brasil

descoboscarpereiradasilva

E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha – segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas – os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos.

Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!

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Da Carta de Achamento de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, D. Manuel, na qual anuncia a descoberta da nova terra. Voltaremos ao assunto no dia 1º de maio, data em que a carta foi assinada.
Ilustração: Desembarque da esquadra de Cabral, no dia 22 de abril de 1500 – Pintura de Oscar Pereira da Silva – acervo do Museu Paulista (Museu do Ipiranga), São Paulo, SP

Augusto dos Anjos, ecologista e futurólogo

O último dia 20 de abril marcou o 115º aniversário de nascimento de Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Cruz do Espírito Santo, 1884 — Leopoldina, 12 de novembro de 1914). Um dos mais críticos poetas de seu tempo, é  conhecido como simbolista ou parnasiano, embora alguns críticos o considerem pré-modernista.

Em homenagem a seu aniversário, publicamos dois sonetos. O primeiro, mostra a preocupação romântica do poeta com a proteção das árvores, numa época em que as matas orientais brasileiras ainda eram avantajadas. É apropriado, também, para o Dia da Terra, hoje comemorado.

O segundo soneto é um curioso elogio ao aeroplano. Note-se que Augusto dos Anjos, falecido em 1914, testemunhou apenas os primeiros passos da aviação. Na época de sua morte, preparava-se o uso do avião para a I Grande Guerra, que, segundo a história, tanto desgosto teria causado em Santos Dumont. Ambos nem sequer imaginavam que as aeronaves, já na metade do Séc. XX, se elevassem bem mais alto, “em busca do infinito”.

A Árvorte da Serra

arvore

– As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho…
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!…

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

A Aeronave

foguete1

Cindindo a vastidão do Azul profundo,
Sulcando o espaço, devassando a terra,
A Aeronave que um mistério encerra
Vai pelo espaço acompanhando o mundo.

E na esteira sem fim da azúlea esfera
Ei-la embalada na amplidão dos ares,
Fitando o abismo sepulcral dos mares
Vencendo o azul que ante si erguera.

Voa, se eleva em busca do Infinito,
É como um despertar de estranho mito,
Auroreando a humana consciência.

Cheia da luz do cintilar de um astro,
Deixa ver na fulgência do seu rastro
A trajetória augusta da Ciência.

Brasil, parabéns pra você!

Ontem foi comemorado o Dia Mundial dos Bombeiros e hoje (22/04) teremos que convocá-los para apagar as 509 velinhas do bolo de aniversário do Brasil. Apesar de tantas, elas representam apenas cinco séculos de desenvolvimento cultural, com alguns apagões no meio. Já começamos atrasados: foi só em 1530 que a coroa portuguesa passou a se interessar por estas terras descobertas por Cabral. Há muito que falar sobre a Terra de Santa Cruz, a Pindorama que os primeiros brasileiros estão redescobrindo e loteando. Mas hoje é só dia de festa. Para comemorar, postamos um vídeo produzido pelo Sebrae, há dois anos, que mostra a nossa diversidade cultural, por meio do Hino Nacional. Parabéns, Brasilsão!