Banco novo na praça

banconovo1

Tem Banco do Brasil
Banco que faliu
Banco Real e Banco do Povo.
Até aí, nada de novo.
E tem banco de jardim
mui útil pra quem se cansa
e só quebra com farta poupança.
Há também, entre os quebrados,
o Bear Stearns, o Lehman Brothers,
o Merrill Lynch e o Nacional
e aquele cujo mote foi fatal:
“O tempo passa, o tempo voa…
e só o Bamerindus continua numa boa”.
Existe banco de sêmen:
eis o banco que procria
e cujos lindos filhotes
não são mera loteria.
Há banco de areia
a encalhar os navios
e tem banco de réu
apenando os extravios.
Tem banco de imagens,
banco de desenvolvimento
banco central, banco de dados
todos a inspirar cuidados.
Tem a econômica Caixa
que não tem nome de banco
mas age na mesma faixa.
Tem até banco de idéias
e banco de futebol
e pra pequenas platéias
tem banco que é urinol.
Aos quase, quase quebrados
inventaram o Proer
mas para o pobre esteta
não fizeram o Propoeta.
Por isso, caros senhores,
vamos fundar nosso banco:
não obrará em vermelho
mas ainda está em branco.
Trabalhará vanguardeiro
sem pensar só em dinheiro
neste tempo de consumo.
E terá como seu prumo
a palavra desprezada
pelos praxistas do dia.
O que quer? É quase nada.
Só reunir na estrada
os escribas já sem rumo
que semeiam bons valores
com muito amor ou com dores
no parto amargo da letra
sem ajuda de obstetra.
Vamos fundar, sim senhores,
novo banco – quem diria! –
um banco imune a assaltos
com dividendos mais altos:
é o Banco da Poesia!

Cleto de Assis

24-25.setembro.2008

5 Respostas para “Banco novo na praça

  1. aroldo murá haygert

    cleto, sua criatividade está a toda carga. Parabéns. Na medida do possível, quero enviar-lhe alguma coisa. Abração, aroldo

  2. Pingback: Banco novo na praça « Banco da Poesia

  3. Londry Turra

    Caro amigo Professor Cleto,
    Que grande idéia!
    É um banco em que riquezas são depositadas e não precisa de trancas, pois lá estão para ser divididas, compartilhadas e fazer germinar a semente de riquezas interiores que continuarão o ciclo indefinidamente.
    Um grande abraço do amigo Londry.

  4. Pingback: E chegamos ao dia 12 de março de 2010 « Banco da Poesia

  5. Beleza poeta/profeta!
    Ridendo diccere severum! Rindo dizer coisas sérias.
    Grande abraço
    Carlos Alberto

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