O que é Poesia?

O que é Poesia?

O poeta e tradutor Geir Campos (28 de fevereiro de 1924, São José do Calçado, ES — 8 de maio de 1999, Niterói, RJ) um homem de pelo menos nove instrumentos – piloto aeronáutico, poeta, contista, dramaturgo, editor, tradutor, professor universitário, jornalista e radialista  – deixou, entre sua variada obra, um livrinho de extrema utilidade: Pequeno Dicionário de Arte Poética (Cultrix, 1978), com mais de seiscentos verbetes e remissões, entre os quais estão todos aqueles termos complicados de origem grega que designam, segundo o autor, “coisas e fatos que formam a porção lógica do mundo poético”.

Geir Campos

Evidentemente, ele nunca pretendeu ensinar alguém a fazer poesia, “assim como um compêndio de anatomia não há de arvorar-se em ponto de partida para a criação de nenhum ser vivo”. E ali aprendemos o que é trístico e trimínere; pirríquio ou díbraco; glicônio e aristofânio, para ficarmos somente em alguns curiosos termos que classificam poemas, versos e figuras de linguagem.

Mas fui lá buscar as definições de Poesia, o tema  que nos interessa neste momento de comemoração do primeiro aninho do Banco da Poesia, com a certeza de que aquele verbete foi precedido de cuidadosa pesquisa por parte do poeta-autor. Vejamos o que ele nos oferece:

Poesia – Para Carlos Bousono, (poeta e crítico literário espanhol, 1923) ‘poesia é, antes de tudo, comunicação, efetuada por palavras apenas, de um conteúdo psíquico (afetivo-sensório-conceitual), aceito pelo espírito como um todo, uma síntese” e o definidor explica, ainda, que ‘nesse conteúdo anímico predominará às vezes o sensório, outras vezes o afetivo, outras o conceitual, pois o poeta, ao expressar-se, nunca transmite puros conceitos, quer dizer, nunca transmite conceitos sem mescla de sensorialidade ou sentimentalidade’. Para o alemão Novalis (Friedrich von Hardenberg, 1772-1801), ‘poesia é a arte de excitar a alma’; para o norte-americano Thomas Stearns Eliot (nascido ‘em 1888, Prêmio Nobel em 1948), ‘toda verdadeira poesia é uma visão de mundo’; e para o inglês Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), ‘poesia são as melhores palavras em sua melhor ordem’. Fundindo esses três conceitos magistrais, obtém-se uma espécie de liga conceitual de elevado teor filosófico-literário, com um enfoque individual, um enfoque social e um enfoque estético da arte poética: ‘poesia é a arte de excitar a alma com uma visão de mundo através das melhores palavras em sua melhor ordem’, uma conceituação ampla e capaz de abranger inclusive as experiências espacialistas do concretismo, do poema-objeto, do poema-práxis, e outras.”

“Para os dicionaristas, em geral, poesia é a obra literária escrita em versos, e na voz popular poesia é às vezes sinônimo de Poema.”

E ele ainda nos remete ao conceito de Poesia pura: “Em oposição aos valores retóricos e oratórios do Romantismo, insurgiram-se os adeptos de uma chamada Poesia pura, proclamando o primado da Música na composição poética e relegando a segundo ou último plano o elemento lógico, a idéia, enfim. Para A. C. Bradley, em seu estudo Poetry for Poetry’s Sake, ‘o grau de pureza de um poema há de ser avaliado na medida em que se torna impossível obter o mesmo efeito poético através de qualquer outra forma verbal que não seja exatamente a dele’ e por isso mesmo ‘a identidade entre forma e fundo só se encontra quando a poesia corresponde à idéia, numa realização poética pura ou quase pura’. Para o Abade Renri Brémond, que aproxima a poesia da prece mística em seu livro La Poésie Pure, ‘a poesia pura é inefável, consistindo naquele extraordinário poder que transforma em coisas poéticas os elementos impuros ou prosaicos’ (que se podem referir em Prosa: pensamentos, imagens, sensações, etc.). Outro estudioso, Robert de Souza, em Un Débat sur Ia Poésie, tenta resumir o pensamento do Abade Brémond em seis itens: ‘1) Todo poema deve suas características poéticas essenciais a uma espécie de realidade unificadora e misteriosa; 2) não basta, nem é necessário, ler poeticamente um poema, para captar-lhe o sentido, uma vez que existe certo encantamento obscuro e independente do significado das palavras; 3) poesia não se pode reduzir a discurso prosaico, pois constitui um meio de expressão que ultrapassa as formas comuns da prosa; 4) poesia é uma espécie de música e ao mesmo tempo não é apenas música, pois age como uma espécie de condutor de corrente pelo qual se transmite a natureza íntima da alma; 5) é a encantação que proporciona a comunicação inconsciente do estado de alma em que se encontra o poeta até o momento em que se manifesta por idéias e sentimentos, momento esse que se revive confusamente lendo o poema; 6) a poesia é uma espécie de magia mística semelhante ao estado de oração’.”

É claro que, embora aprofundado, o estudo se situa nos terrenos da poética e da poemática, mas consolida o sentimento que a Poesia tem aquele algo mais indefinível pelas palavras. Por isso, resolvi pedir aos colaboradores do Banco da Poesia, para marcar os primeiros 365 dias de existência do blog, suas idéias sobre O que é Poesia.  Um registro que ampliará o nosso reconhecimento sobre a sensibilidade dos autores e permanecerá impresso para divagações presentes e futuras. Sei – todos sabemos – que não alcançaremos definições conclusivas: disse-me um pintor de paredes, certa vez, quando tentava explicar-lhe o que é a arte — “Ah, eu já sei! Arte é como o amor, a gente sente, mas não sabe explicar o que é…” E Poesia talvez seja isto mesmo: a gente escreve, diz, palavreia, mas não é capaz de explicar o que é. Ou à Poesia, como toda manifestação artística que provém do sentimento humano, podemos dirigir infinitas definições.

Vamos começar com um colaborador honorário, uma espécie de padrinho do Banco, o mestre Fernando Pessoa. Confesso-me gratíssimo a todos os que acolheram minha solicitação e aos que se unirão, proximamente, nesta página.

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Fernando Pessoa

A poesia é a emoção expressa em ritmo através do pensamento, como a música é essa mesma expressão, mas direta, sem o intermédio da idéia. Musicar um poema é acentuar-lhe a emoção, reforçando-lhe o ritmo. (…) Um poema é uma impressão intelectualizada, ou uma idéia convertida em emoção, comunicada a outros por meio de um ritmo. Esse ritmo é duplo num só, como os aspectos côncavo e convexo do mesmo arco: é constituído por um ritmo verbal ou musical ou de imagem que lhe corresponde, internamente.

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Março/2010

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Domingos Pellegrini  / Londrina

Poesia é quando as palavras
entram em transe, entretanto
magicamente lógicas
balé de beija-flores
coral de hipopótamos
teatro de elefantes
bosques que tem mais vida
nossa vida mais amores

Ao  BP — Vida longa para este banco onde não é preciso entrar em fila nem é preciso pagar juro, onde só se investe e se ganha beleza.

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Iriene Borges / Curitiba


Poesia é a partilha do mistério
que transforma
uma sequência de palavras
na conjuração das asas
para transpor abismos
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Poesia não  é o que escrevo, é o que me desmancha

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José Dias Egipto / Portugal

Um poema
constrói-se então
assim,
de formas bem diferentes…
(ou talvez não !…)

Às vezes sozinho,
sem a ajuda de ninguém
partindo a casca dura,
aos pedacinhos,
saindo do espartilho
branco da mente,
já oco às vezes de sentido,
de alimento,
de um vazio aparente,
procurando por isso
logo o sustento
em cada canto,
em cada eira,
em cada alma carente …

Outras vezes não;
aparece já feito,
escorreito,
capaz de trilhar
seus próprios caminhos,

vindo de um além
imperceptível,
com uma altivez
e presunção irredutível,
de quem tem a razão
para existir,
sem nunca precisar
de mais alguém …

Quase sempre, porém,
somos nós que o criamos
a sós,
juntando os pólos,
os nós,
fecundando a matriz
das palavras,
dos sentimentos
e, devagarinho,
vêmo-lo crescer
aos sobressaltos,
na fragilidade intrínseca
de quem acaba de nascer
e duvida ainda
se quer
ou não,
por nós,
permanecer…

De toda a forma,
nós temos esse dom,
o privilégio de o receber,
de o acolher
como algo tangível
nos nossos braços,
e de perceber afinal,
que mesmo sem nós,
ele nasceria
de maneira igual
com a mesma beleza e harmonia,
pois a forma,
as palavras, a fantasia,
não são nossas,
vivem sim entre nós,
desde o princípio dos tempos,
numa outra vibração
que nos transcende,
mas que às vezes nos atinge
o coração
num dado momento
e se revelam
quando está tudo reunido
numa casual união,
quando há  tempo,
há papel,
uma caneta
e a mão !…

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Cássio Amaral / Araxá

A poesia é o grito do inominável, o urro do imprevisto.
Tudo além das possibilidades terrenas.
Magia, espécie de telepatia, parto das idéias, filosofia
dentro da arte. Um gozo mais profundo!

Ao BP — O Banco da Poesia é onde o crédito vai além da inspiração.
Onde Cleto de Assis é um gerente que sabe bem administrar
as contas dos poetas que ali depositam sua verve.
Ali a arte se faz ampla e viva.

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Manoel de Andrade / Curitiba

A poesia é o lírico idioma do espírito
A poesia é a linguagem do encanto
A poesia é um mágico sentir. É a inspiração que chega pedindo pra não partir.

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Marilda Confortin / Curitiba

Poesia é uma Florbela que Espanca.
Minha relação com a poesia foi sempre entre tapas e beijos. Nos negamos muito. Neste momento, por exemplo: Bem que eu queria escrever alguma coisa bonita, poética para homenagear o Banco da Poesia, mas a safada não quer papo comigo hoje. Deve estar por aí, nas ruas, pichando muros, passando de mão em mão, de boca em boca, se vendendo por qualquer sonho de valsa, essa ingrata.

Tem hora, acho que a poesia é uma doença, noutra acho que é uma cura. Só sei de uma coisa: sou irremediavelmente apaixonada por ela.

Ao BP — Uma palavra de incentivo ao Banco da Poesia: Se fosse para escolher apenas uma palavra, como você pediu, seria “Continue”. Se pode ter mais que uma palavra, bota aí: Vida longa ao Banco da Poesia. E não se importe com os depósitos. Importe-se com os saques. Esses sim, dão lucro.

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Maurício Ferreira / Jaú

O que é Poesia? Ubere e ubíqua; meu cão pastoreando andorinhas com seu rabo enorme e cabeça pequena; fotografias passageiras, fragmentos, unidade. Impossíveis combinações, café chiando na porosidade da cerâmica; último recurso dos ofícios sultânicos e das canções populares. O filho que nunca tive e o sorriso da mulher amada, reflexo do fruto que ainda terei. Tão infinita quanto a vida das cigarras e reinando em Aliors enquanto os bárbaros não vêm. Imagens que chegam à noite e abandonadas na aurora. Pá de pedreiro no muro do quintal. Paradoxo, dialética e sofisma. Aquilo que sou de mais belo, horrível, profano, sagrado e mundano. Imensurável e mínimo, vício, virtude. Inumano. Fonte. Caldeirão. Athanor. Chip. Duelo mortal do Cosmos com a tecnocracia do mundo. Como Paracelso: Tudo é poesia, nada é poesia.

Ao BP — Novas formas de linguagem. Isto é, o que o Banco propõe através de seu critério editorial e da publicação bem sacada de novos ou consagrados poetas? Valores sem juros, conta limpa, talento puro. Antiga busca pela moeda do espírito.
Gosto de me ver no Banco da Poesia. Mais do que em alguma folha desperdiçada de papel.
A geração que começou a escrever em 90 está buscando caminhos.
Esta geração está buscando expressão.
A poesia é uma conta conjunta não especificada.
E não existe um verso que não seja comunitário.
Nem caminhos que não possam ser tentados.
O pecado e o desejo de pecar.
Banco e Palavra. Não a promissória, nem a assinatura.
Verbo e o que o vento do verbo move.
Avesso a foto, espírito. Nova Moeda, novo banco.
Poesia.

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João Raimundo Gonçalves / Portugal

a poesia é…

um tesouro guardado entre as estantes
fonte de onde jorram versos cristalinos
banco que guarda poemas de poetas seus amantes
santuário dos que sentem ser nela peregrinos

a poesia é…

bela etérea diáfana lirica dramática
sublimada em torrentes maviosas na alma do poeta
luz que fascina quem a sente numa hora mágica
quietude quando tudo em volta é treva que inquieta

a poesia é…

dentro das palavras a elegância
erótica sensual de amor dúctil fantasista
cata ventos aviva fogos emana do ar toda a fragrância
quixotesca bandeirante ou pessoana na conquista

Para o BP — O Banco da Poesia é uma fortaleza imune a crises locais ou globais, porque emite sua própria moeda Universal, não vicia as regras da concorrência, não falsifica notas nem palavras. É certo que não paga juros avultados, nem é agiota dos poemas,  sequer pratica usura ou corrupção. O Banco da Poesia se solidifica na pureza dos homens e das mulheres que nele confiam a alma de poetas.
Longa vida ao Banco da Poesia!!!

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Erly Welton Ricci / Antonina

Oásis fértil — Existem milhares de sites e blogs de poesia no mundo virtual. E é compreensível que o gênero literário esteja em média conta nesse universo, embora a mediocridade aí seja como na música: viscejam breganejos e nenhuma alma além do mais imediato. Mas a literatura está assim.

Nenhum livro pode ficar mais que uma semana exposto nas livrarias. Nesses tempos modernos nada perdura, tudo se recicla como rejeito natural, lixo superdegradável no bioma das palavras. Encontrar a quaIidade da rica e preciosa poesia, hoje, é como remexer em minas há muito esgotadas. Bons e autênticos poetas estão em franca extinção.

Ressalvadas algumas exceções, é possível pinçar aqui, ali e acolá poetas autênticos, primorosos, raros geniais. Neste século 21, em que as mudanças têm pressa, vão se perdendo a sensibilidade do gênero, enquanto se prolifera o mau gosto.

Por isso a importância deste Banco da Poesia,  que completa agora  um ano com excelentes depósitos coletados e coordenados pelo incansável  Cleto de Assis.  Por sí só, a idéia é genial, e nos salva dos mares de coliformes fecais em que a poesia de hoje se transformou. Neste seu primeiro ano como instituição bancária, elevou-se a densidade poética do universo virtual e pude observar um oásis fértil no meio desse deserto.

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poesia deve ser isso:
o que ferve e congela
o que assombra e desanuvia
o que apaga
e incendeia
acena
à cena vazia

poesia deve ser isso:
o que amálgama e fere
anátema do frio
o que crema e espalha
amassa, esfarela,
e entra no cio

poesia deve ser isso:
morfemas e lexias
qualquer sal
um risco
de difundir
a via
quase
abissal

outubro/2011

 

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Deborah O’Lins de Barros / Itajaí

Poesia… poesia não é algo que rima. Poesia não é algo que baba. Poesia não é algo que choca.
Poesia é a imaginação vertida em letras. É uma fotografia, às vezes borrada e impressionista, do turbilhão de coisas e sensações que temos. Ou que não temos. Poesia é a lembrança mais doce de algo que nunca houve.

Poema tem gosto de que?

Que gosto tem um poema?
Foi a pergunta que me fizeram,
o mote que me provocou.
Poema tem gosto salgado de lágrima;
poema tem gosto amargo de mágoa;
poema tem gosto de já amou.

Poema tem o gosto frio-quente da saudade;
o acre gosto do caos;
o ácido gosto do não.
Poema tem gosto de flores comestíveis,
o divertido gosto da ironia
e o colorido gosto da diversão.

Poema tem gosto verde-bucólico
e um quê melancólico
Vaporoso gosto do que já passou.
Poema tem gosto apaixonado pelo tema escolhido;
O gosto de engolir seco do “Trocando em miúdos”
e o gosto impressionante de “Construção”.

Há poemas com gosto de livre-arbítrio;
há poemas com gosto de cura;
gosto de mentira, gosto de verdade;
há poemas com gosto de boa-sorte.
Poema tem gosto de vida.
Poema tem gosto de morte.

Ao BP — Que a FMI – Fundação Mundial da Inspiração, proteja esse precioso Banco sempre!!

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Vera Lúcia Kalahari / Angola / Portugal

O que é para mim a Poesia? É difícil encontrar palavras que definam isso…

Para começar, a única certeza que tenho, é que a considero, acima de tudo o mais,
o meu princípio e o meu fim.

Começando pelas minhas perplexidades, enquanto adolescente, foi nela que tudo encontrei : a  amiga íntima a quem podia confessar, sem pudor, os meus pecados, os meus desejos, os meus pressentimentos de infortúnio, toda a confusa vivência dum espírito por vezes selvagem que a ninguém me atreveria revelar. Foi nela que consegui um aprofundamento de mim mesma, aprofundamento esse que me deu o privilégio de ter plena consciência de mim própria. E  apesar de m omentos por vezes perigosos com os meus bens próprios,  descobri também os meus males irremediáveis.

A poesia tornou-se para mim uma intuição obsessiva porque me transmitia momentos inesquecíveis de puro encantamento, como um pós-sentimento de ter vivido em outras vidas e em outros mundos… De ter o dom supremo de ser aquilo que quisesse ser: árvore, estrela, deserto, mar… tudo.  Tudo o que via e não via, mas que eu adivinhava existir… ou não. Deu-me asas para chegar onde quisesse, deu-me dor para mergulhar nas chamas dos infernos… Tornou-me princesa… mendiga… santa… pecadora…

Deu-me a liberdade de poder expressar sem algemas e sem medos, a minha voluptuosidade  duma mulher sem barreiras, ou a minha ingenuidade  quase infantil…

Porque  embora tudo isto fossem sinais naturalmente humanos,  eles confundiam-se com a fome que sempre senti do Absoluto total, a minha insaciabilidade, que  ainda hoje fazem com que me interrogue, se são os meus instintos pagãos que perduram em mim, das minhas raízes ancestrais, sejam elas quais forem… E é na poesia  que eu posso mostrar essa pessoa contraditória, essas diversas facetas do meu ‘’eu’’ mais íntimo, oculto nas diversas personalidades que, talvez, quem sabe, vivem encerradas em mim.

Tantas personalidades que por vezes me transbordam… E só na poesia, na sua imensidão, encontro lugar para pôr no papel, tudo isso, como  duma tela bordada se tratasse. E quando releio os    meus poemas, compreendo porque sinto tantas vezes o sentimento de ‘’nada ter’’. É que na realidade eu não posso ter nada, se nada me contenta… Só a poesia. Porque a verdade é só uma: Não há solidão na poesia e só ela me dá tudo.

Ao BP — O Banco de Poesia é a expressão da poesia viva. Superior pela sua qualidade, pela sensibilidade e, principalmente,  pela isenção,  ele é superior às condições dos tempos e dos espaços. A literatura que aqui se edita é uma literatura a quem  os seus autores insuflaram vida, por isso passam a viver a sua própria vida.

Parabéns, pois, ao Banco de Poesia, que tem dado pousada aos amantes da  literatura
de qualidade.

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J. B. Vidal / Florianópolis

Contrariando a mim próprio, que sou avesso  a qualquer conceito ou definição do que seja a Poesia, envio estas considerações de André Masini, que, de longe, se aproximam do meu entendimento:

“Definir ou conceituar Poesia é uma tarefa que pode ser tentada de incontáveis formas e perspectivas. Para todos os que já tiveram a experiência viva de ler e escrever poesia, não é difícil compreender muitas das definições existentes (por mais diferentes que elas sejam em seus fundamentos) e (apesar de todas essas diferenças) ‘encaixar’ as múltiplas visões e torná-las até complementares entre si.

Existem, é claro, alguns genuínos conflitos sobre a natureza e o propósito da Poesia, mas esses, em minha opinião, podem ser atribuídos mais a correntes, escolas, épocas e modismos, que as diferenças entre as diversas perspectivas pelas quais se pode tentar uma compreensão abrangente do tema.

Por outro lado, para quem nunca teve a vivência prática da poesia, muitas das definições podem parecer assunto quase místico; e a idéia de Poesia, algo tão impalpável que deveria ser objeto da Metafísica e não de qualquer ciência da linguagem, da arte ou da comunicação.”

Ao BP — Quanto ao Banco da Poesia, o que dizer? Que não se torne menor? Você surpreendeu o mundo virtual da cultura com uma página elegante, de bom gosto, erudita e moderna, acrescida de sua arte digital agregada ao valor poético dos poemas que o Banco recebe para depósito. E como rendem as leituras! Bons aplicadores, os poetas correntistas!

O que desejo, amigo Cleto, é que este teu Banco complete muitos aniversários mais, revelando depositantes, resgatando do esquecimento outros tantos que você deposita na conta “ativos em cobrança” da memória cultural. Desejo que se amplie a área de atuação para elevar e proporcionar o apreço pela poesia, a qual você defende como um espadachim iluminado na escuridão do não saber.

Muita saúde, grande abraço do sempre amigo J. B. Vidal.

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R. Rafael Nolli / Araxá

Não é tarefa fácil definir a Poesia. Nesse mundo plural, globalizado, a poesia possui centenas de definições. Se há uma correta? Com certeza todas o são – ainda que algumas dessas definições sejam altamente discutíveis. Poesia para alguns é devaneio puro e simples, para outros é concretude, trabalho de marcenaria, de metalurgia.  E, assim, são milhares as definições, pulverizadas no mundo, propagadas por sectários ferozes.

Talvez ninguém tenha essa resposta. Pelo menos não vejo respostas satisfatórias para essa questão. A poesia em si, a leitura da obra poética, supera qualquer definição didática, supera as especulações, por melhor que sejam.

Não serei eu que terei a resposta satisfatória. Assim, prefiro apontar aqui o que não é poesia – ou melhor, que é poesia, mas que não vale à pena se dedicar, debruçar-se sobre. Falo dessa poesia vazia de significado, de autor que se nega a lançar-se na rua e vive deslumbrado com o próprio umbigo.

Para o BP — Para esse Banco eu só tenho boas palavras. Primeiramente porque vim parar aqui navegando pelo mundo virtual em busca da obra de Vicente Gerbasi. Grata surpresa, me deparo com uma matéria dedicada ao autor venezuelano, feita com todo o cuidado possível. E, o que é mais interessante, feita pelo próprio tradutor da obra, Cleto de Assis!

Imediatamente me tornei correntista desse Banco que cria diariamente um grande patrimônio afetivo – e desde então sou assíduo.

Espaços para a poesia devem ser celebrados, sobretudo os espaços como esse, de portas sempre abertas para jovens e iniciantes na arte poética – sem nunca se esquecer dos grandes autores, já consagrados, todos convivendo lado a lado!

Que venham muitos e muitos anos!

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Anair Weirich / Chapecó

Poesia,
é melodia
que o coração canta.
É quando a alma
da gente dança… dança… dança!
E rodopia, e flutua!
Evoca perfumes que sussurram:
— És meu, sou tua!

Ao BP — O Banco da Poesia
é um banco
em que se credita todo dia
um pouco de alegria.
É um banco que extasia!

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Hélio Pubglieli / Curitiba


O fenômeno poético ocorre quando as palavras mergulham nelas mesmas e voltam à tona renovadas em seu sentido mais profundo, transformando-se em versos. A maioria dos poetas acaba se afogando. Alguns emergem e sobrevivem.

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Solivan Brugnara / Quedas do Iguaçu


A melhor definição do que é Poesia é a palavra poesia. Uma palavra generosa que engloba todos seus estilos, é um abraço. Dentro dela cabem todos os gêneros, com aconchego e sem descriminação.
Poesia é poesia.

Ao BP — O Banco da Poesia é um lugar confiável para guardar palavras,um ninho carinhoso para nossos papiros.
Minha e nossa Alexandria virtual e Cleto nosso guardião, sempre ávido de poemas.

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Isaías de Faria / Belo Horizonte

A Poesia é a necessidade de se dizer algo que não pode ser dita de outra forma.

Ao BP — Que o banco de poesia tenha vários e vários aniversários pela frente, porque é um veiculo de informação de cultura grandioso. Parabéns nessa data.

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Artur Alonso Novelle / Galícia – Espanha

Quiçá a poesia  seja essa viagem para que nunca tiramos bilhete. Esse caminho de pedras que um adora porque lhe resulta incerto e intenso, jamais se concreta ao igual que os olhos perdidos da mulher que amamos, anteriormente no tempo, ainda que de seu cor e formas já nunca nos lembremos. Tal vez a poesia permaneça ai no primeiro espírito anterior a primeira letra, na segunda noite após a paixão inflamar de luz o contorno das estrelas.
Talvez seja um riso nosso e nunca reparamos, porque nunca reparamos nas coisas importantes. Não reparamos nem no aroma da flor, nem no orvalho da madrugada, nem no sorriso duma criança. Temos medo de abrir o coração e que ela poda penetrar nossa alma. Fechamos as contras; a poesia fica fora e nunca com ela nos identificamos. No entanto, ela tem a paciência de aqueles que sabem viver na eternidade, assim que de algum modo ou outro, sua consciência e inconsistência sempre nos alcança.

Ao BP — Uma ponte se constrói para unir diversidades, às vezes por ela penetra o amor, às vezes o ódio, às vezes a nossa vaidade. Mas muitas, muitas mais vezes a força dos homens que se insurgem contra as desigualdades, a injustiça a cobiça, as desculpas que fecham as almas, para que nunca os seres tenham múltiplas oportunidades.
O Banco da Poesia somos nós, os vivos e os mortos que eternamente perduram na essência das suas palavras. Nosso saber se compõe também dos seus ensinamentos.
Uma janela aberta é, onde todo mundo pode assomar-se, encher-se da saiba da vida, e voltar a sua Terra mais enriquecido de relativas verdades.
Banco da Poesia é um abraço feito de inúmeras mãos e braços para, por cima de fronteiras, criar a paisagem dos seres liberados.

Para mim é uma grande honra estar aqui, nos depósitos que são as raízes fortes deste Banco. Por muito e muito que dei sempre muito e muito mais me será, me fora dado.
Muito obrigado, amigo Cleto, por esta iniciativa tão necessária.

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Outubro/2011

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José Hierro / Espanha

O ritmo é o que faz a poesia persuasiva e não informativa.
José Hierro del Real  – Madri, 1922 – 2002

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Jean Cocteau / França

O poeta é uma mentira que sempre diz a verdade.
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A poesia é uma religião sem esperança.
Jean Maurice Eugène Clément Cocteau , poeta, escritor e cineasta francês, 1989-1863

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Aristóteles / Grécia

A poesia é mais fina e mais filosófica do que a história; porque a poesia expressa o universo, e a história somente o detalha.

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Platão / Grécia

A poesia está mais próxima da verdade vital do que a história.

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Voltaire / França

O esplendor da relva só pode mesmo ser percebida pelo poeta. Os outros pisam nela. Um mérito inegável da poesia: ela diz mais e em menor número de palavras que a prosa.
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A poesia é a música da alma, sobretudo de almas grandes e sentimentais.
François-Marie Arouet, escritor, historiador e filósofo francês, 1694-1778

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Thomas Gray / Inglaterra

Poesia são pensamentos que respiram, e palavras que queimam.
Thomas Gray, escritor, poeta e professor inglês, 1716-1771

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Maiskovski / Rússia

A poesia é uma forma de produção. Dificílima, complexíssima, porém produção.
Vladimir Maiakovski , poeta russo, 1893, 1930

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Márcio-André / São Paulo

[Poesia] … é quando o mundo se curva diante de uma palavra: o espaço se comprime, o tempo se expande, passado e futuro sonham-se mutuamente enquanto presente e tudo passa a ter um sentido tão pleno e arrebatador que pouco se pode resguardar além de algumas palavras.
Márcio-André, poeta paulista, 1937

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T.S. Eliot / USA

A poesia genuína pode comunicar-se antes que seja compreendida.                          
Thomas Stearns Eliot, poeta norte-americano,1888 –1965

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Micheliny Verunschk / Pernambuco

A poesia para mim é a forma mais eficaz de alcançar algo inatingível, a essência do real ou, antes, o real em essência. É também o único modo pelo qual posso enxergar o mundo. Ela está um degrau acima da filosofia e um degrau abaixo do amor. 
Micheliny Verunschk, poeta pernambucana, 1972

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11 Respostas para “O que é Poesia?

  1. Pingback: E chegamos ao dia 12 de março de 2010 « Banco da Poesia

  2. Manoel de Andrade

    Os poetas sempre foram, ainda são e nunca deixarão de ser os cantores do amor e da vida. Migrantes do mistério, navegantes do horizonte e viandantes da esperança, são com essas dimensões que definem sua arte.
    Eu agradeço a Deus por essa partícula de encanto inoculada em meu espírito.

    Que bela iniciativa, a tua Cleto, que me dá essa alegria de soletrar a beleza em expressões tão diversas. Parabéns a todos.

    Quero acrescentar uma definição de poesia do poeta espanhol Antônio Machado, com cuja mágica beleza e seu poder de síntese espero enriquecer tua recente galeria:
    La poesía es la palabra esencial en el tiempo.

  3. Obrigado, amigo Cleto, por este amor à poesia, por este carinho que nos tem dado a todos nós… Um anfitrião que nos põe sua casa à nossa disposição , com uma hospitalidade incomensurável e que ainda por cima, nos ”mima” com elogios, motivando-nos a avançar, a aprender mais e mais com autores de grande nível , honrando-nos, ainda por cima, com a oportunidade de ficarmos lado a lado com eles…
    Não é fácil encontrarmos um blogue como este, onde a palavra de ordem é a poesia, sem diferenciações e sem elites.
    Porque o Cleto cuida das amizades gentilmente…E tem sempre lugar para um novo amigo…
    Ao Banco de Poesia e a si, Cleto, desejo os maiores sucessos,mensagens de países longínquos, sinal que o Banco se expande cada vez mais, e ter a certeza que nos está a proporcionar a todos uma enorme felicidade, com a sua dádiva.
    Um grande, grande abraço de parabéns.
    Vera Lucia

  4. Vera e Manoel:

    Como sempre, vocês são as sentinelas avançadas desta nossa cidadela de apoio à Poesia. E notem que ela já produz um grande dividendo, que é a amizade que nos une. Mesmo Vera, ainda etérea na nuvem internetiana, já é parte integrante desta fraternidade que criamos há um ano.

    Gratidão contínua pelo permanente incentivo.
    Cleto

  5. Olá Cleto de Assis, que maravilha, descobri agora esta porta de entrada directa, já tinha entrada em outras e deixado um rasto de palavras. Parabéns por este aniversário do Banco da Poesia e a minha gratidão por ter-me achado merecedor de ser seu convidado.
    A poesia é alma, é da alma, uma forma de amor absoluto que transcende o poeta.
    Um abraço de profunda admiração.
    joão raimundo

  6. Pingback: Artur Alonso Novelhe diz o que é Poesia « Banco da Poesia

  7. Grande Cleto! Que delícia ler esses depoimentos. São os lucros do Banco da Poesia, nos fazendo ricos. Sugiro até que você deixe essa pergunta como uma enquete, sempre aberta para novos depósitos. Muito bom.
    Um beijão

  8. Cleto de Assis

    Marilda:

    Esta página, que era apenas para comemorar o aniversário do BP, vai ficar permanentemente aberta. E coletaremos infinitamente as infinitas definições de Poesia.

    Obrigado pelo força,

    Cleto

  9. Helio Freitas

    Parabéns, Cleto, pela página onde se discute o significado da poesia. Tem de ser permanente mesmo, como você bem compreendeu.

  10. Poesia são sentimentos sinceros que brotam da alma. palavras com significados gigantescos de amor, de dor, de solidão de falta de reciprocidade de sentimento de verdade de respeito e de prazer! É sempre bom continuar a busca….

  11. Poesia é a surpresa que nossa alma guardava para nos presentear em versos com as belezas da vida…caindo em cascatas de nossa imaginação e emoção!

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