Anair Weirich: livros, livros à mão cheia*

Escritora AnairSegundo a própria Anair Weirich, ela nasceu ” em 02/11/51, na cidade de Chapecó, SC, onde sempre residiu. Escreve desde 1987, mas (sobre)vive de seus livros desde 1996″. Ela é casada com um livreiro e colocou nos livros seus grandes objetivos vitais.

Escreve, faz poesia, vende livros de porta em porta, recita em escolas e em qualquer lugar onde os livros sejam bem recebidos. É uma espécie de cavaleira andante da palavra escrita, cruzada da literatura, troubatrice não errante das feiras de poesia, escudeira dos guerreiros de papel. Nosso breve encontro ocorreu há pouco tempo, em Curitiba, quando Marilda Confortin (sua prima) reuniu em Curitiba um grupo de poetas organizado virtualmente e que, de vez em quando, resolvem se reunir em carne e osso para comprovar suas existências reais.

De Chapecó, lá no oeste catarinense, ela envia seus depósitos ao Banco da Poesia.

Amigos

PANCETTI, José - 1902 - 1958 Ciranda óleo s/ papel, 1942 - 23,4 x 32,5 cm

PANCETTI, José - 1902 - 1958 - Ciranda - óleo s/ papel, 1942 - 23,4 x 32,5 cm

Amigos vêm e vão.
Amigos são uma nação
de corações leais.
Amigos são demais!
Amigos são trigos ao sol.
São cama e lençol
para deitar-se tranqüilo.
Amigos são aquilo
de tudo o que contas.
Amigos são contas
de um colar de diamantes.
São vogais e consoantes
do alfabeto do amor.
Amigos são abrigos
da maldade e da dor.
São a segurança das pontes,
e a água das fontes!
Amigos são artigos de luxo.
Amigos são bruxos
da distância e do tempo.
Amigos são o elemento
que conta na hora H…
Amigos são maná!
São faróis no nevoeiro.
São arco e arqueiro
na precisão do alvo.
Amigos estão a salvo
das tempestades da vida.
Amigos são guarida
nas horas incautas.
Amigos são flautas
que anunciam companheirismo.
Amigos são o muro seguro
que nos protegem do abismo!

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PostScriptum

Peço licença a Anair para colar aqui um recado. Ontem, ao postar seu poema Amigos, eu não me lembrei que hoje, 20 de julho, se comemora o Dia do Amigo. Sei que a autora não se aborrecerá se utilizarmos seu trabalho para homenagear todos os amigos, os meus e os amigos de todos os que são amigos e cultivam amigos como se cultiva flores: com carinho e dedicação. Amigos que, como diz Anair, “são vogais e consoantes do alfabeto do amor.

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Fruto do prazer

Ilustração: C. de A.

Ilustração: C. de A.

Minha meia maçã
deixa-me inteira
massa sã,
que se deita e se deleita
no suculento lento suco
do prazer que escorre.
Trono escarlate,
volátil enleio,
esvai-se ao seio
dos lençóis e morre!

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*  Oh! Bendito o que semeia
 Livros... livros à mão cheia...
 E manda o povo pensar!
 O livro caindo n'alma
 É germe — que faz a palma,
 É chuva — que faz o mar. 

xxxxxxxxxxxxxxxxAntônio Frederico de Castro Alves
xxxxxxxxxxxxxxxxde O Livro e a América (Espumas Flutuantes, 1870)

3 Respostas para “Anair Weirich: livros, livros à mão cheia*

  1. Um banco que banca a poesia
    é um baco que baqueia
    à luz do dia.

    Estou orgulhosa de fazer parte de um banco que não quebra!

  2. Que bom poder estar sentada nesse banco também…

  3. Marilda Confortin

    Que bela homenagem aos amigos, Anair e Cleto. Obrigada pela parte que me toca e me toca profundamente.

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